O Banco de Portugal (BdP) reviu em significativa alta as suas projeções orçamentais para este ano e o próximo, apontando a um saldo nulo em 2025, ao invés do défice de 0,1% previsto em junho, e a um défice de 0,4% em 2026, 0,9 pontos percentuais (pp) abaixo dos 1,3% antecipados anteriormente. Para 2027 e 2028 são projetados défices de 0,9% e de 1%. Ainda assim, o governador Álvaro Santos Pereira admite que o país ainda consiga evitar o regresso aos saldos negativos, considerando que a economia nacional permanece, no contexto europeu, numa situação privilegiada.
Na apresentação do Boletim Económico de dezembro, esta sexta-feira, o BdP atualizou em alta as projeções orçamentais, com um cenário substancialmente distinto do previsto no documento de junho. Segundo o governador do banco central, esta diferença é explicada em parte pela inclusão apenas de medidas “já aprovadas” e com impacto quantificável, em linha com as diretivas do Eurosistema.
Por outro lado, o documento explica que várias medidas “adotadas após o fecho do Boletim Económico de junho implicam uma revisão do saldo orçamental”, sobretudo as medidas do IRS, suplemento extraordinário das pensões, a redução do IRC e o aumento do Complemento Solidário para Idosos e das prestações de parentalidade.
Apesar de a projeção para 2025 não passar por um excedente, como aconteceu nos últimos anos, Álvaro Santos Pereira fala numa “situação orçamental muito melhor” do que a generalidade da Europa.
“Não é à toa que temos uma imagem externa bastante boa, isso é refletido nos spreads. […] Isso acontece porque a nossa divida e o endividamento têm vindo a baixar e estamos com um crescimento muito razoável”, afirmou, mostrando confiança que “isso se venha a manter”.
A melhorar a situação, “é possível que este ano consigamos” obter um excedente – um cenário que dependerá das medidas que forem aprovadas com impacto orçamental. No entanto, “é preciso manter atenção às pressões sobre a receita e procura”, completou.
Além dos indicadores orçamentais, o BdP atualizou esta sexta-feira as suas projeções macroeconómicas, onde reviu a sua expectativa de crescimento para este ano e o próximo em alta. O banco central aponta agora a um avanço de 2% este ano e 2,3% em 2026, em ambos os casos uma revisão em alta de 0,1 pontos percentuais (pp).
Nas anteriores projeções, de setembro, o cenário passava por um crescimento do PIB de 1,9% este ano, 2,2% no próximo e 1,7% em 2027, isto apesar do enquadramento internacional desafiante.
Atualizado com valores projetados do défice para 2027 e 2028
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