Governo de Costa responde a enviado de Trump: “Investimento chinês em Portugal cumpre a legislação”

O chefe da diplomacia norte-americana atacou o investimento chinês nas redes de telecomunicações europeias, como o da empresa chinesa Huawei em Portugal. O Governo português garante que confia nas empresas chinesas que investiram em Portugal na energia, banca e seguros.

Cristina Bernardo

O Governo português respondeu a Donald Trump sobre os receios da Casa Branca com o investimento chinês em Portugal. Lisboa garante que confia nas empresas chinesas que investiram em empresas nacionais.

“Portugal tem um investimento importante da China, na energia, banca e seguros. E esse investimento tem cumprido e cumprirá todas as regras da legislação portuguesa e europeia aplicáveis”, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros português esta quinta-feira, referindo-se à EDP, BCP e Fidelidade, respetivamente.

“A economia deve ser subordinada ao poder político, a ordem democrática e aos nossos interesses de segurança nacional. Assim sucederá na área crítica de telecomunicações, nomeadamente no 5G”,

Augusto Santos Silva deu o exemplo das três maiores empresas de telecomunicações que são detidas por empresas do Reino Unido (Vodafone), de França (Altice Portugal) e a NOS detida pela Sonaecom e por capital de Angola.

“Todos têm cumprido com a legislação portuguesa e europeia em termos de segurança nacional”, declarou o ministro.

Anteriormente, na mesma conferência de imprensa, o chefe da diplomacia norte-americana atacou o investimento chinês nas redes de telecomunicações europeias, como o da empresa chinesa Huawei.

“O Partido Comunista chinês não vai hesitar em usar seja o que for para oprimir o seu povo e os outros povos do mundo, usarão todos os instrumentos à sua disposição”, declarou o ministro dos Negócios Estrangeiros norte-americano esta quinta-feira em Lisboa.

“Temos de garantir que nunca os chineses nunca vão suprimir as forças democráticas seja aqui, seja nos Estados Unidos ou noutras partes do mundo”, disse Mike Pompeo na conferência de imprensa conjunta.

“Temos de avaliar o risco dos investimentos chineses nestas áreas estratégicas e sensíveis”, afirmou Mike Pompeo, o homem forte de Donald Trump para as relações internacionais.

Para a Casa Branca, o investimento chinês neste setor levanta preocupações para a “segurança nacional dos EUA”.

“Preocupamo-nos muito com a privacidade dos nossos cidadãos. A informação de cidadãos norte-americanos só pode passar em redes que confiamos, e não pode acabar nas mãos do Partido Comunista chinês ou de um hacker. Nos últimos anos temos tentado esclarecer os nossos amigos em todo o mundo. Não é só uma empresa ou um país em concreto”, declarou Mike Pompeo.

Chefe da diplomacia de Trump: “China vai usar todos os instrumentos à sua disposição para oprimir os povos do mundo”

Ler mais
Relacionadas

Chefe da diplomacia de Trump: “China vai usar todos os instrumentos à sua disposição para oprimir os povos do mundo”

Washington alertou o Governo de António Costa para o que considera ser os riscos da abertura das redes de telecomunicações a empresas chinesas. Lisboa diz que vai respeitar as conclusões da análise que está a ser realizada por Bruxelas ao dossier do 5G.
Recomendadas

Covid-19: Senadores do Brasil lançam manifesto em defesa do isolamento social

O manifesto sublinha que a experiência dos países que estão com um nível de contágio mais avançado deixa claro que, face à inexistência de uma vacina contra o vírus, a medida mais eficaz para minimização dos efeitos da pandemia é o isolamento social.

Covid-19: República Checa prolonga confinamento até 11 de abril

O Governo checo prolongou hoje, até 11 de abril, as medidas de confinamento destinadas a combater a propagação do novo coronavírus.

Contabilização de vítimas mortais em alguns países europeus pode ser falível, alertam epidemiologistas

Um dos exemplos indicados por estes especialistas é o Reino Unido que, até ter sido declarada pandemia, não registava a causa direta da infeção quando um paciente falecia por infeção respiratória, a menos que fosse uma doença de notificação obrigatória como a malária ou tuberculose.
Comentários