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Governo de Trump quer ver EDP a investir mais nos EUA

Energia solar e projetos de bateria são as tecnologias mais promissoras neste momento nos EUA. Companhia já investiu 20 mil milhões de dólares nos EUA, com 40% do seu investimento global a ir para o mercado norte-americano.
30 Janeiro 2026, 13h59

O Governo de Donald Trump quer ver a EDP a investir mais nos EUA, revelou o presidente-executivo da elétrica portuguesa.

Miguel Stilwell d’Andrade revelou que, num encontro com o ministro da Energia dos Estados Unidos na semana passada, Chris Wright “encorajou” a elétrica a “fazer investimentos nos EUA”, com destaque para a “energia solar e baterias”.

“Se não houver energia, não conseguem construir centros de dados e os preços da energia vão subir muito” com o disparo na procura e a oferta sem crescer.

“É preciso mais energia, o máximo possível. Esta é uma das melhores alturas para investir nos EUA em termos de rentabilidade”, destacando a energia solar e os projetos de armazenagem de eletricidade, através de baterias, disse durante um discurso na conferência da câmara de comércio luso-americana (AmCham), na sexta-feira, 30 de janeiro.

Destacou que a companhia já investiu 20 mil milhões de dólares nos EUA, com 40% do seu investimento global a ir para este mercado. “Temos uma longa presença, estamos em mais de 20 estados. Continua a ser um país interessante, com o tema do IA e do digital a criar uma pressão enorme sobre a procura”.

“Não há muitas tecnologias disponíveis. Não há nenhuma central nuclear que vá ser construída nas próximas década. Objetivamente, não é possível construir centrais nucleares em menos de 10 anos. O gás natural é uma opção, mas também há uma limitação na quantidade de turbinas a gás que podem ser produzidas”, destacou.

Na sua intervenção, destacou que a Europa está “muito focada nas energias renováveis e nas redes” elétricas, a par da “independência energética”.

“A Europa não produz combustíveis fósseis, estamos dependentes. Nunca seremos competitivos” com a importação massiva de petróleo e gás. “Nunca vamos ser tão competitivos” quanto os países produtores.

Sobre a questão da falta de competitividade dos preços da energia face aos EUA, destaca que esta falha é principalmente grave no gás natural, que é três a quatro vezes mais caro do que no outro lado do Atlântico.

“Na eletricidade, somos tão ou mais competitivos”, rejeitando fazer generalizações, pois as “médias são muito perigosas”: a eletricidade é mais cara no centro da Europa, mas é mais barata nos países nórdicos e na Península Ibérica. “Temos capacidade para ser muito competitivos”.

Sublinhou que é “preciso diferenciar política energética de política fiscal ou industrial”, apontando que a Europa tem “energia barata” e depois mete “impostos em cima”.

“A Ibéria é um hub de energia elétrica. Se querem deslocalizar industrias da Europa, olhem para dentro da Europa para ver se não há alternativas”

Dando o exemplo de uma companhia que queira sair da Alemanha para a china devido aos preços elevados da eletricidade, “pensem em Portugal como alternativa”, confessando que teve um “death stare” num encontro com empresas alemãs quando expressou precisamente esta ideia.

Projeto do consórcio da EDPR vai ser reavaliado pelo Governo Trump

Com perspetivas mais solarengas no solar e nas baterias, a situação é diferente na energia eólica offshore. Em novembro, um tribunal na capital dos EUA decidiu que o projeto SouthCoast Wind da Ocean Winds (EDPR com Engie) vai voltar a ser avaliado, agora pelo Governo de Donald Trump, como escreveu o JE a 24 de novembro.

A central eólica marítima (offshore) tinha sido aprovada pela administração de Joe Biden, mas o novo executivo diz ter identificado problemas com a análise ambiental do projeto e que poderá vir a revogar a autorização na sua análise.

A decisão do tribunal de Washington DC foi tomada no início de novembro no âmbito de um processo movido pela cidade de Nantucket, Massachusetts, a pedir o cancelamento da aprovação.

O consórcio já tinha anunciado a suspensão do projeto em fevereiro de 2025.

A Ocean Winds argumentou em tribunal que a revisão do projeto pode causar atrasos e colocar em causa contratos para equipamento e serviços necessários para a construção. Contudo, a magistrada disse não estar convencida de que o promotor iria sofrer danos imediatos, segundo a “Reuters”.

Questionada pelo JE, a Ocean Winds disse em novembro ter “preocupações sérias” em relação a esta decisão. “Estamos desiludidos com este resultado, mas estamos comprometidos com os parâmetros rigorosos que guiaram o desenvolvimento do projeto” durante quatro anos à luz da legislação National Environmental Policy Act (NEPA). 

“Estamos atualmente a avaliar as implicações da decisão e vamos considerar todos os passos apropriados, incluindo seguir meios legais, para garantir a integridade do projeto e a contribuição de longo prazo para os objetivos energéticos regionais e nacionais”, segundo Michael Brown, diretor da Ocean Winds para a América do Norte

A companhia já investiu mais de 600 milhões de dólares no desenvolvimento do projeto e licenciamento incluindo pagamentos ao Governo Federal.

A 17 de setembro, o Jornal Económico escreveu que a EDP Renováveis (EDPR) estava preparada para lutar pelos seus direitos num tribunal norte-americano num caso que opõe o seu consórcio ao Governo de Donald Trump.

A Casa Branca quer anular a licença da central eólica offshore (marítima) na costa leste dos EUA, um projeto da Ocean Winds, consórcio que junta a EDP Renováveis e os franceses da Engie.

“Nós – e várias outras empresas – vamos defender os nossos direitos nos fóruns adequados. Depois veremos”, disse o presidente-executivo da EDPR na altura.

“É, no fundo, uma percepção por parte da administração americana que não quer avançar com o eólico offshore. Nós, obviamente, achamos que faz sentido ter estes projetos do ponto de vista técnico, económico e ambiental. Por isso é que avançámos”, acrescentou Miguel Stilwell d’Andrade em setembro.

O projeto Southcoast Wind, ao largo da costa do Massachusetts, tem uma capacidade prevista de 2,4 gigawatts. A companhia deveria iniciar a construção este ano para estar operacional em 2030.

O valor do investimento nunca foi revelado pelo consórcio, mas os custos podem atingir 5 mil milhões de dólares, segundo uma estimativa feita em 2023 pelo jornal especializado “North American Wind Power”.

Em agosto, o Governo federal dos EUA cancelou financiamento de 580 milhões de euros a projetos eólicos marítimos


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