Governo não prevê mais voos de repatriamento desde o Brasil

Voo de ida e volta entre Lisboa e São Paulo previsto para o próximo sábado esgota as necessidades de repatriamento que foram identificadas pela rede diplomática portuguesa a funcionar em território brasileiro.

Augusto Santos Silva

A operação de repatriamento de residentes em Portugal estacionados em território brasileiro não será para já repetida, uma vez que “o voo marcado para o próximo sábado esgota a lista” coligida pela rede diplomática portuguesa no Brasil, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, em audiência parlamentar motivada por um requerimento do PSD sobre o assunto.

Santos Silva disse ainda que o avião que partirá de Lisboa com destino para São Paulo irá levar residentes no Brasil que necessitam de regressar ao seu país, sendo depois a operação concluída com o regresso dos residentes em Portugal.

“Desde a primeira vaga que a recomendação do Ministério a todos os portugueses é a de não viajarem”, recordou Santos Silva. Governo acabou por ter de consagrar a proibição da circulação internacional, com as exceções conhecidas – entre elas o regresso a território nacional, e prevendo o apoio ativo a esse regresso. Tudo ficou mais difícil quando tiveram de ser suspensos os voos de e para Portugal com destino onde existiam novas variantes do vírus: Reino Unido e Brasil – com África do Sul não existem ligações aéreas regulares.

O requerimento do PSD, apresentado pelo deputado social-democrata Eduardo Teixeira, pretendia também saber em que fase está o apoio estrangeiro ao combate à pandemia em Portugal. Santos Silva esclareceu que não há nenhum doente português deslocado para o estrangeiro: “seria sempre uma solução de ultíssimo recurso” – dado o tremendo incómodo que uma deslocação dessa natureza iria infligir.

O ministro dos Negócios Estrangeiros agradeceu as ofertas de apoio, que, ao nível da vaga mais recente da Covid-19, começou a 22 de janeiro, quando a chanceler alemã, Angela Merkel, “mandou providenciar todo o apoio necessário” a Portugal.

O PSD queria também saber qual é a situação da gestão das fronteiras terrestres, sendo que Eduardo Teixeira afirmava saber de diversas dificuldades a esse nível. Santos Silva optou, na sua resposta, por confirmar “uma coordenação estreita com as autoridades espanholas nessa matéria – é um exemplo face à má gestão de outras fronteiras europeias”. Mas não revelou qualquer data a partir da qual as fronteiras voltarão a abrir – anúncio em nenhuma circunstância ira por certo ser feito numa audiência parlamentar.

Santos Silva disse ainda que a prometida cimeira Portugal-Brasil está em preparação “ao longo deste ano” – o que parece querer dizer que só se realizará para o ano, numa altura em que se comemoram os 200 anos da independência do Brasil e os 100 anos da travessia do Atlântico Sul por Gago Coutinho e Sacadura Cabral.

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