O primeiro-ministro anunciou que o Conselho de Ministros aprovou hoje o aumento do montante global da linha de crédito à tesouraria de 500 para mil milhões de euros para as empresas afetadas pelo mau tempo.
O anúncio foi feito por Luís Montenegro durante uma visita hoje à tarde as zonas afetadas pelas cheias em Alcácer do Sal (distrito de Setúbal), realizada logo após a reunião do Conselho de Ministros que terminou sem a habitual conferência de imprensa.
Durante a visita, acompanhada por alguns órgãos de comunicação social que já se encontravam no local, Luís Montenegro foi abordado por uma lojista que se queixou de falta de apoio e tentou explicar-lhe alguma das medidas já aprovadas pelo executivo na resposta às consequências do mau tempo, como a linha de crédito à tesouraria.
“Neste momento, já temos à volta de 3.500 candidaturas, já com 700 milhões de euros. Nós hoje no Conselho de Ministros subimos de 500 para 1.000 milhões de euros o volume global. É um empréstimo, é verdade, mas é um empréstimo que dá um período de carência”, explicou à comerciante.
O primeiro-ministro voltou a insistir na responsabilidade das seguradoras, dizendo que foi garantido ao Governo “que cerca de 80% das peritagens seriam feitas no espaço de 15 dias”, e aproveitou para deixar um apelo às câmaras municipais.
“Para além de todo o esforço que estão a fazer de proteção da vida das pessoas e dos bens, nós precisamos que façam o acompanhamento das vistorias rapidamente para nós podermos disponibilizar o dinheiro, quer para a ajuda das casas, quer para a ajuda dos comércios”, pediu.
Na visita, Montenegro esteve acompanhado pela presidente da Câmara Municipal de Alcácer do Sal, Clarisse Campos (PS), pela ministra do Ambiente e Energia, Graça Carvalho, e pelo secretário de Estado Adjunto e da Administração Interna, Paulo Simões Ribeiro.
O primeiro-ministro afirmou, como já tem dito em outras ocasiões, que todos os apoios estão a chegar a pessoas e empresas “com uma rapidez muito grande”.
“Eu sei que dizer isto pode parecer um bocadinho difícil de compreender a quem está na dificuldade, mas é preciso atender a tudo aquilo que aconteceu noutras circunstâncias similares… Nós estamos a fazer o esforço máximo que é possível”, assegurou.
Montenegro aproveitou para reiterar o apelo de que o país tem de continuar vigilante, nomeadamente em Alcácer do Sal.
“Nós estamos aqui numa terra particularmente exposta, que já passou por dias difíceis, que está a tentar agora repor a normalidade, mas sabemos que ainda vamos ter algumas horas difíceis pela frente também”, admitiu, referindo-se às previsões que apontam para precipitação intensa na região da Bacia do Tejo durante a noite de hoje.
O primeiro-ministro considerou que “Alcácer tem sido um bom exemplo, apesar de todo o sofrimento e toda a dificuldade, de interação entre todos os agentes públicos, entidades privadas e instituições sociais”, tendo-se conseguido “salvaguardar as vidas das pessoas, a normalidade possível para quem tem de sair de casa”.
Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A décima sexta vítima é um homem de 72 anos que caiu no dia 28 de janeiro quando ia reparar o telhado da casa de uma familiar, no concelho de Pombal, e que morreu a 10 de fevereiro, nos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC).
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
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