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GreenYellow antecipa futuro do setor energético em 2026 e passa pela IA

Segundo a empresa, a integração das energias renováveis, o avanço das baterias, a digitalização das redes e a adoção de sistemas inteligentes baseados em IA vão marcar profundamente o mercado no próximo ano.
18 Dezembro 2025, 11h47

“Portugal está a entrar numa nova era da energia, onde inovação, sustentabilidade e inteligência artifical se juntam para criar um sistema mais resiliente, eficiente e participativo. As tendências que identificamos para 2026 não são apenas oportunidades de crescimento para o setor energético, mas sim pilares essenciais para um futuro energético mais sustentável no nosso país”. Quem o diz é Miguel Almeida Henriques, President of the Executive Commitee Portugal da GreenYellow, empresa francesa fundada em 2007 que se tornou, em 18 anos, um dos principais intervenientes na transição energética em França e a nível internacional.

O setor da energia atravessa um período de transformação acelerada no nosso país, impulsionado pela transição energética, pela digitalização das infraestruturas e pelo crescimento das soluções distribuídas.

Segundo a empresa, a integração das energias renováveis, o avanço das baterias, a digitalização das redes e a adoção de sistemas inteligentes baseados em IA vão marcar profundamente o mercado no próximo ano.

A GreenYellow Portugal, empresa internacional e parceira da transição energética de empresas em mais de 15 países, identificou cinco tendências estratégicas que vão moldar o setor energético em Portugal ao longo do próximo ano.

A primeira é o crescimento das energias renováveis e das comunidades de energia. Portugal tem registado uma expansão notável na produção solar e noutras fontes renováveis. Em 2026, esta dinâmica será amplificada pelo desenvolvimento das comunidades de energia – estruturas que permitem que diferentes consumidores partilhem a energia produzida num ponto da rede que, muitas vezes, não coincide com o local do seu consumo, defende a empresa.

Ao contrário do autoconsumo individual tradicional, onde a produção acontece no próprio edifício, uma comunidade de energia permite que a eletricidade gerada num local (por exemplo, num telhado industrial, num terreno ou numa instalação próxima) seja distribuída entre vários membros conectados à mesma área de rede. Este modelo promove maior autonomia local, reduz custos e cria novas formas de participação ativa na transição energética.

A consolidação destes ecossistemas vai exigir a implementação de estruturas operacionais mais avançadas, incluindo mecanismos de preços dinâmicos, soluções de trading peer-to-peer e integração total com redes inteligentes capazes de gerir fluxos energéticos em tempo real.

A segunda é o “Armazenamento e Virtual Power Plants: os novos pilares da flexibilidade”. Portugal é hoje um dos países da Europa com maior penetração de energias renováveis na sua matriz elétrica, como a solar e a eólica. Embora este seja um progresso significativo, traz também um desafio estrutural: por se tratarem de fontes intermitentes, a produção nem sempre é previsível ou suficiente para garantir, por si só, a estabilidade da rede em todos os momentos do dia, diz a GreenYellow.

É neste contexto que o armazenamento assume um papel decisivo. As baterias vão deixar de ser vistas como sistemas de reserva para passarem a ser elementos centrais para tornar a geração renovável mais estável, atuando com capacidade de apoio quando a produção não cobre a procura, ou quando ocorrem variações súbitas na rede. Em conjunto com as Virtual Power Plants (VPP), vão permitir agregar recursos distribuídos, realizar a arbitragem de preços e prestar serviços essenciais, como a regulação de frequência e a redução de picos de carga.

Este avanço abre novas oportunidades de negócio e representa um passo fundamental para garantir a resiliência da rede num contexto de elevada presença de renováveis.

A terceira consiste na eficiência energética guiada pela digitalização e redes inteligentes. A GreenYellow diz que num cenário de crescente pressão regulamentar, 2026 será um ano decisivo para a aposta em redes inteligentes e na modernização de infraestruturas. A digitalização vai permitir realizar uma monitorização contínua, com manutenção preditiva e uma maior capacidade de resposta à procura.

Ao investir em tecnologias digitais, as empresas podem otimizar fluxos energéticos, reduzir custos operacionais e melhorar a fiabilidade do sistema, tornando a eficiência um eixo central da estratégia do setor.

A quarta é a integração inteligente da mobilidade elétrica para evitar pressão sobre a rede. O aumento acelerado da adoção de veículos elétricos vai continuar a marcar o panorama nacional. Contudo, esta expansão exige respostas robustas para evitar sobrecargas na rede.

O desenvolvimento de soluções de carregamento inteligente, articuladas com sistemas de armazenamento e com VPPs, será fundamental para gerir picos de procura, garantir estabilidade e criar novos serviços energéticos orientados para a mobilidade.

Por fim a quinta são os sistemas inteligentes alimentados por IA. A utilização de Inteligência Artificial será determinante para elevar a eficiência operacional a um novo patamar, defende a GreenYellow.

No próximo ano, espera-se que os operadores do setor utilizem IA para prever padrões de consumo, automatizar decisões críticas e otimizar a gestão de ativos ao longo de toda a cadeia, desde a criação à distribuição

Estas capacidades vão reforçar a resiliência, melhorar a qualidade do serviço e apoiar modelos de gestão cada vez mais complexos, tornando a IA um elemento incontornável nas operações energéticas do futuro, conclui a GreenYellow Portugal.


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