Guerra comercial: Durão Barroso diz que na hora da escolha, Europa optaria pelos Estados Unidos

Antigo presidente da Comissão Europeia explicou que apesar do maior dinamismo da relação entre a União Europeia e a China, a relação económica e geopolítica com os Estados Unidos continua a pesar mais.

O antigo presidente da Comissão Europeia e antigo primeiro-ministro de Portugal José Manuel Durão Barroso disse esta terça-feira que numa guerra comercial entre os Estados Unidos e a China levada ao extremo, que obrigasse a União Europeia a fazer uma escolha, o lado norte-americano seria o escolhido.

“Uma coisa que Europa não gosta de fazer são escolhas, gosta do compromisso”, disse Durão Barroso no congresso “Portugal: crescimento ou estagnação? A resposta está nas empresas”, organizado pela CIP – Confederação Empresarial de Portugal. No entanto, e apesar de reforçar que a “Europa gostaria de manter uma ordem aberta internacional” e “sem guerras comerciais”, os factores geopolíticos e económicos levariam a Europa a escolher os Estados Unidos.

“Em geral a União Europeia preferia não ter que fazer essa escolha. Mas se tivesse que fazer essa escolha, acabaria por escolher os EUA, por razoes económicas, mas sobretudo com geopolíticas”, disse.

O antigo presidente da Comissão Europeia explicou que apesar do maior dinamismo da relação entre a União Europeia e a China, o peso da relação transatlântica continua a pesar mais.

“A relação económica entre Europa e EUA continua a ser mais importante, em termos de volume”, realçou.

Durão Barroso considerou que a China “é o grande vencedor da globalização” e que o crescimento “da China foi e é o facto mais importante e transformativo nas ultimas décadas no Mundo”, o que colocou pressão sobre os Estados Unidos. “Do ponto de vista internacional, estão numa posição bastante critica em relação à China e querem em reequilibro da relação”, disse.

Apesar de sublinhar que o protecionismo dos Estados Unidos em relação à China e considerar que “este problema existiria com ou sem presidente Trump”, antecipou que será necessário “preparar para o médio-longo prazo, para um confronto cada vez mais evidente entre China e EUA”, já que “em relação à questão de fundo – a economia – não vão haver tréguas”.

“Pensar que a China vai aceitar toda a lista que o presidente Trump colocou não é realista”, considerou relativamente às negociações entre as duas potências.

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