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Guerra entre Paquistão e Afeganistão mantém-se ativa ao cabo de cinco dias

Os níveis de intensidade dos combates terão diminuído. O governo talibã do Afeganistão já disse que pode vir a aceitar a mediação proposta pelo Qatar.
3 Março 2026, 07h00

O Afeganistão e o Paquistão disseram esta segunda-feira que os seus exércitos mantiveram ações militares contra os seus oponentes pelo quinto dia consecutivo. Mas, segundo as agências internacionais, a intensidade dos confrontos parece ser menor que no (re)início do conflito. Os confrontos diretos entre vizinhos que partilham uma fronteira de 2.600 km, são atualmente os mais intensos em anos de conflitos e provocações. Desta vez, as hostilidades começaram quando os governantes talibã do Afeganistão lançaram ataques retaliatórios contra instalações paquistanesas, em resposta aos ataques do Paquistão contra militantes no Afeganistão.

Dezenas de pessoas foram mortas em ambos os lados, depois de o Paquistão usar aviões de guerra para lançar mísseis ar-terra contra instalações militares dos talibã e contra o governo do Afeganistão, o que aconteceu pela primeira vez. O Paquistão acusa o governo afegão de promover o derrube do seu governo.

Na segunda-feira, o Ministério da Defesa talibã afirmou que as forças afegãs alvejaram e destruíram um tanque blindado militar paquistanês na fronteira, na província de Paktika, depois de este disparar projéteis indiscriminadamente em direção ao Afeganistão.

O porta-voz do Ministério da Defesa, Enayatullah Khowarazmi, disse que as forças afegãs mataram mais de 100 soldados inimigos e capturaram pelo menos 25 postos militares paquistaneses. Em uma declaração dirigida ao povo do Afeganistão, Khowarazmi disse que “às vezes aviões inimigos atravessam o nosso espaço aéreo” e que os combatentes talibã disparam a defesa aérea para os repelir.

A polícia afegã informou no final do domingo que aviões paquistaneses tentaram bombardear a base aérea de Bagram, nos arredores de Cabul, e foram repelidos por canhões antiaéreos ZU-23 de fabricação russa. A estrutura foi a maior base militar dos Estados Unidos no Afeganistão e o ponto central das operações militares norte-americanas e da NATO durante os 20 anos de guerra.

Do lado do Paquistão, a informação oficial é que os ataques aéreos e terrestres continuam e que as tropas destruíram depósitos de munição em Khost e Jalalabad, bem como um local de armazenamento de drones em Jalalabad, entre outros alvos.

As forças paquistanesas mataram até agora 435 soldados afegãos, destruíram 188 postos e capturaram outros 31, disse o ministro da Informação do Paquistão, Attaulla Tarar. O Paquistão também destruiu 188 tanques, veículos blindados e peças de artilharia, além de ter atacado 51 locais por via aérea, afirmou.

O Qatar já se mostrou disponível para mediar um entendimento entre os dois beligerantes, mas até agora não há notícias de qualquer avanço nesse sentido – apesar de o regime talibã ter sinalizado estar disposto a negociar.

O conflito entre Afeganistão e Paquistão dá-se porque o lado paquistanês afirma que o Afeganistão abriga militantes do Tehreek-e-Taliban Pakistan, que levam a cabo ações contra o governo legítimo do Paquistão. O Afeganistão nega a acusação, afirmando que não permite que o seu território seja usado contra outros países e que os desafios de segurança do Paquistão são uma questão interna.

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