A guerra no Irão tem deixado preocupados os empresários em Portugal, porque um surto inflacionista afetaria as indústrias intensivas em energia. O caso é mais inquietante nas zonas devastadas pela tempestade Kristin.
“O aumento do preço do petróleo afeta sobretudo as economias que dependem mais dos combustíveis fósseis. E nós dependemos bastante”, constata Armindo Monteiro, presidente da CIP, ao Jornal Económico (JE). E “serão, sobretudo, os consumidores intensivos a sofrer com isso”, nomeadamente as empresas com tarifas indexadas ao mercado grossista. O responsável diz ter sensibilizado o ministro da Economia para esta questão e os parceiros sociais ficaram de avaliar “se a duração [do conflito] obriga a encontrar soluções”.
Também Luís Miguel Ribeiro, presidente executivo do conselho de administração da AEP, nota que Portugal está exposto ao contexto internacional e que a indústria transformadora será a mais afetada. “A subida da inflação é uma preocupação real”, afirma o responsável, sublinhando, porém, que o impacto da subida do preço do petróleo “dependerá de vários fatores”, incluindo “a duração e intensidade do conflito”, a evolução da economia, o comportamento do Governo e de outros agentes económicos e a resposta do Banco Central Europeu.
Já Rafael Campos Pereira, vice-presidente da associação que representa os metalúrgicos (AIMMAP), está “apreensivo”, embora “com uma perspetiva positiva”, porque acredita que a guerra “não vai durar muito”. No entanto, se se prolongar, as zonas afetadas pelas tempestades têm de fazer um esforço redobrado, reconhece.
Numa das zonas mais afetadas pela depressão Kristin, o diretor executivo da Associação Empresarial da Região de Leiria (NERLEI) também considera que será ainda mais difícil para as empresas da região. “Muitas ainda se estão a recuperar dos danos causados pelas recentes tempestades, o que as deixa numa posição mais vulnerável”, alerta Henrique Carvalho, sinalizando que “a instabilidade” associada ao conflito e a eventual subida dos custos da energia são “um constrangimento adicional significativo” para as empresas, que “dificilmente será absorvido sem consequências”.
O diretor da NERLEI acredita que “vai, com certeza, dificultar a recuperação” do tecido empresarial, “pode comprometer, uma vez mais, a sua atividade e, consequentemente, a economia das regiões afetadas e do país como um todo”.
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