Guterres diz que América Central deve ser prioridade absoluta na cooperação internacional

O secretário-geral da ONU defendeu que a América Central deve ser uma prioridade absoluta para a cooperação internacional devido aos efeitos das alterações climáticas na região, recentemente atingida por dois furacões.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, considerou que a América Central deve ser uma prioridade absoluta para a cooperação internacional devido aos efeitos das alterações climáticas na região, recentemente atingida por dois furacões.

António Guterres participou num encontro virtual e privado com a maioria dos presidentes dos países que compõem o Sistema de Integração Centro-Americana (SICA).

“Não tenho dúvidas que a América Central deve ser hoje uma prioridade absoluta no quadro da cooperação internacional”, juntamente com as ilhas das Caraíbas e do Pacífico, “que enfrentam uma ameaça existencial das alterações climáticas”, disse Guterres, de acordo com uma declaração do SICA.

A organização acrescentou que os líderes da América Central e da República Dominicana levantaram o assunto dos “impactos causados pelas alterações climáticas na região e concordaram com a necessidade de a reconhecer como uma das áreas geográficas mais vulneráveis do mundo”.

O Presidente da Costa Rica, Carlos Alvarado, recomendou na conferência que o SICA declarasse dar prioridade “à crise da desigualdade, à crise económica e à crise ambiental”.

“A grave crise que enfrentamos é uma oportunidade como região para deixarmos de lado muitas das nossas diferenças e nos unirmos com objetivos comuns, e atender às nossas populações e especialmente às mais vulneráveis”, disse.

O Presidente das Honduras, Juan Orlando Hernandez, afirmou ter falado anteriormente com Guterres sobre a possibilidade de reconhecer o país e o resto da América Central “como uma das regiões do mundo mais afetadas pelas alterações climáticas”.

Daniel Ortega, Presidente da Nicarágua, e que detém a presidência temporária do SICA, disse que “a grande batalha que tem a ver com a destruição da vida no planeta” é a mudança climática.

Esta é a primeira vez que a ONU se envolve em diálogo direto com o SICA desde a fundação em dezembro de 1991, de acordo com o organismo centro-americano.

A reunião contou também com a presença do Presidente da Guatemala e do primeiro-ministro do Belize, Alejandro Giammattei e John Briceño, respetivamente, bem como do vice-Presidente de El Salvador, Félix Ulloa.

Também presentes na videoconferência estiveram o Presidente da República Dominicana, Luis Abinader; o secretário-geral do SICA, Vinicio Cerezo, e a secretária executiva da Comissão Económica para a América Latina e Caraíbas, Alicia Bárcena.

A América Central foi recentemente atingida pelos furacões Eta e Iota, que afetaram mais de 3,5 milhões de pessoas só nas Honduras, enquanto na Nicarágua, segundo as autoridades, causou perdas de 742 milhões de dólares (620 milhões de euros), ou 5,9% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

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