A HBD Príncipe, o maior empregador da ilha santomense, comunicou às autoridades regionais a decisão de retirar os investimentos milionários feitos no turismo do território.
“Tomei a decisão de solicitar à minha equipa que procure investidores alternativos que possam levar adiante” os negócios do grupo na ilha, “com melhor aprovação da liderança do Príncipe e discutir o processo pelo qual encerraríamos graciosamente os investimentos em ecoturismo e agricultura da HBD no Príncipe”, lê-se numa carta enviada esta semana ao Presidente da ilha do Príncipe, Filipe Nascimento, e à qual o Jornal Económico (JE) teve acesso.
A motivação da decisão não é totalmente esclarecida na carta, mas a cobrança de taxas para o acesso à praia do ilhéu Bom Bom, entretanto suspensa, onde a empresa de Mark Shuttleworth, que assina a carta enviada a Filipe Nascimento, tem um empreendimento terá tido peso no desfecho.
Além disso, a missiva denuncia o “uso de linguagem divisiva entre os líderes cívicos”.
“Os meus colegas e a HBD foram rotulados de neocolonialistas e associados ao apartheid, simplesmente por afirmarem o direito normal de admissão a um resort hoteleiro — em termos favoráveis aos habitantes do Príncipe”, acrescenta.
As palavras de Shuttleworth não deixam transparecer abertura para negociações, mas o que parecia uma decisão irreversível poderá ter outro destino. Está previsto, para segunda-feira, em São Tomé, uma reunião entre a HBD e as autoridades regionais do Príncipe, soube o JE.
Esta quarta-feira, o Governo de Filipe Nascimento reuniu-se com as várias forças políticas, que assinaram um memorando de entendimento no qual “manifestam a vontade genuína que o investidor e o projeto HBD” permaneça na ilha, segundo o Presidente do Príncipe, deixando clara uma convergência até então ausente.
Esta quinta-feira, o primeiro-ministro, Américo Ramos, disse que a questão já está nas mãos do Governo central a pedido do Governo regional.
“É uma questão que toca um parceiro bastante importante na região autónoma do Príncipe (e também em São Tomé).
Segundo o governante, “houve contactos preliminares com o investidores no sentido de se criar uma ponte de diálogo para perceber o que está em cima da mesa para atingirmos um ponto de entendimento”.
Investimento e ecoturismo
Na carta enviada a Filipe Nascimento, Mark Shuttleworth recorda que, quando investiu no Príncipe, “o Presidente Regional da época, Tozé Cassandra, expressou uma visão clara do ecoturismo como um veículo de desenvolvimento que minimizaria a destruição dos ecossistemas preciosos que tornam a ilha única”.
“Senti-me motivado a ajudar a proteger essa beleza natural e a ajudar o povo de Príncipe a colher os frutos do desenvolvimento económico, evitando ao mesmo tempo o pior da destruição causada pelo desenvolvimento. Embora não tivesse outros negócios na indústria do turismo, achei que valia a pena correr o risco”, escreveu.
Os investimentos turísticos do empresário sul-africano na ilha do Príncipe pelo grupo HBD, fundado em 2010, seguem uma estratégia de ecoturismo e agroflorestação, operacionalizados em colaboração com o governo regional. Dois anos mais tarde, o Príncipe foi designado Reserva da Biosfera da UNESCO.
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