Huawei quer participar na implementação do 5G no Brasil, mas Bolsonaro diz que não “foi feita” uma proposta

O interesse da Huawei no 5G no Brasil poderá colocar à prova o alinhamento de Bolsonaro com o presidente norte-americano Donald Trump.

Depois de Brasil e China terem firmado acordos de cooperação nas áreas de serviços, investimentos, transporte e medicina tradicional, o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, revelou que a tecnológica chinesa Huawei quer implementar a quinta geração da rede móvel (5G) no país. Contudo, nenhuma proposta concreta estará em cima da mesa.

De acordo com a imprensa brasileira, a gigante chinesa estará atenta à industria das telecomunicações no Brasil, tendo em conta que em 2020, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o regulador do setor das comunicações, deverá promover um leilão as frequências para explorar o 5G em 2020.

Contudo, à margem de um encontro entre Bolsonaro e o líder da Huawei Brasil, Wei Yao, que decorreu na segunda-feira, o presidente do Brasil disse que “não foi feita a proposta”- “Ele [Wei Yao] apenas mostrou que quer o 5G no Brasil”, acrescentou.

O encontro entre o chefe de Estado brasileiro com o responsável da Huawei no Brasil ocorreu dias depois de uma reunião entre Bolsonaro e o presidente da China, Xi Jinping, por causa da 11.ª cimeira dos BRICS (bloco económico das economias emergentes, nomeadamente Brasil, Rússia, Índia e África do Sul).

O interesse da Huawei no 5G no Brasil poderá colocar à prova o alinhamento de Bolsonaro com os EUA. O 5G é um dos focos de conflito entre os Washington e Pequim, já que a Huawei conseguiu posicionar-se na vanguarda do desenvolvimento desta tecnologia e é a empresa com mais patentes relacionadas à 5G em todo o mundo. A administração Trump acusa a Huawei de representar uma forma de o Estado chinês espiar outras potências. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impôs, por isso, restrições à empresa chinesa.

Até agora, Bolsonaro está alinhado com a postura de Trump. Mas, tendo em conta que o Brasil é um importante fornecedor de matérias primas para a China, cujo apetite por soja, petróleo e minério de ferro brasileiros se multiplicou nas últimas décadas, devido ao crescimento da economia chinesa, o alinhamento do presidente brasileiro com Washinton poderá ser colocado à prova.

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