Enquanto o debate público se foca no risco para os empregos de escritório, os dados mostram uma realidade diferente: a IA precisa de “músculo” físico. De acordo com a análise de 50 milhões de anúncios de emprego pela Randstad, a necessidade de infraestruturas para sustentar a tecnologia fez disparar as vagas para engenheiros de AVAC (+67%), necessários para arrefecer centros de dados, e técnicos de robótica (+107%).
Um novo estudo da Randstad revela que o verdadeiro impacto da Inteligência Artificial no emprego não é a substituição de humanos, mas a pressão sem precedentes sobre os ofícios técnicos e a infraestrutura física.
Enquanto o debate público se foca no risco para os empregos de escritório, os dados mostram uma realidade diferente: a IA precisa de “músculo” físico. De acordo com a análise de 50 milhões de anúncios de emprego pela Randstad, a necessidade de infraestruturas para sustentar a tecnologia fez disparar as vagas para engenheiros de AVAC (+67%), necessários para arrefecer centros de dados, e técnicos de robótica (+107%).
O paradoxo do talento: faltam mãos para a tecnologia
O mercado de trabalho vive uma inversão histórica. Pela primeira vez, é mais difícil e demorado contratar um trabalhador de ofícios especializados do que um profissional de serviços. Este cenário é agravado pelo envelhecimento demográfico: no setor da manufatura, por cada 100 jovens que entram, saem 102 profissionais.
Sander van ‘t Noordende, CEO da Randstad, alerta que o obstáculo ao crescimento global é a falta de quem “construa os centros de dados e atualize as redes elétricas”. Sem estes perfis, a revolução digital fica sem base de sustentação.
Clivagens de género e idade ameaçam a produtividade
O estudo “Escassez de talento: o papel da IA na promoção da equidade” aponta ainda que a IA está a criar novas barreiras. Mulheres e trabalhadores seniores apresentam taxas de adoção da tecnologia mais baixas, o que pode reduzir drasticamente o grupo de profissionais preparados para o futuro.
Em Portugal, Raul Neto, CEO da Randstad Portugal, defende que a solução passa pela democratização da formação. “Incorporar as mulheres e as gerações mais seniores nesta transição não é apenas uma questão de equidade social, é um imperativo de sobrevivência para as empresas”, afirma.
Para os especialistas, o sucesso da IA não dependerá apenas dos algoritmos, mas da capacidade de formar uma força de trabalho diversa que mantenha a tecnologia a funcionar.