Ilhas cabo-verdianas de Santiago e Fogo em situação de calamidade por mais 30 dias

O atendimento nos restaurantes passou a ser possível até às 23:00 nestas ilhas, passando as padarias a poder funcionar até às 21:00 e os comércios até às 20:30. No entanto, mantêm-se fechadas em todo o país discotecas e salões de dança ou de festas.

Fernando de Pina / Lusa

O Governo cabo-verdiano vai prorrogar por mais 30 dias o atual o estado de calamidade em vigor nas ilhas de Santiago e do Fogo, devido à covid-19, segundo resolução aprovada em conselho de ministros divulgada esta sexta-feira.

O atual estado de calamidade nas duas ilhas, que concentram a grande maioria dos casos ativos de covid-19 no arquipélago, tinha sido prorrogado no final de outubro por mais 15 dias, até às 23:59 de 14 de novembro, voltando agora a ser prorrogado face à evolução da pandemia, explicou hoje o ministro do Turismo, Carlos Santos, enquanto porta-voz da reunião do conselho de ministros.

De acordo com o ministro, que explicou em conferência de imprensa a decisão tomada pelo Governo na quinta-feira, as restantes ilhas vão permanecer, tal como desde 01 de novembro, e por mais 30 dias, em situação de contingência, para permitir a “manutenção das medidas de prevenção e contenção”, tentando “minimizar os riscos de transmissão da infeção” por covid-19.

Cabo Verde regista atualmente um acumulado de 9.004 casos de covid-19 diagnosticados desde 19 de março, com 102 óbitos associados à doença no mesmo período.

Permanecem ativos atualmente 586 casos da doença, essencialmente distribuídos pela Praia (ilha de Santiago), com 225 doentes, e pelos três municípios da ilha do Fogo, com 195.

No caso do Fogo, os primeiros casos da doença só foram diagnosticados em agosto, e o aumento de novas infeções tem sido diário, o que levou o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, a viajar hoje para aquela ilha, juntamente com o diretor nacional de Saúde e o presidente do Serviço Nacional de Proteção Civil e Bombeiros, para avaliar as ações de prevenção no terreno.

O Governo cabo-verdiano tinha prorrogado por mais 15 dias, até 14 de novembro, o estado de calamidade nas ilhas de Santiago e do Fogo, devido à covid-19, decretando a situação de contingência nas restantes, incluindo no Sal (que até 31 de outubro estava também em estado de calamidade), desagravando várias medidas restritivas que estavam em vigor.

A decisão foi então tomada apesar de o Governo reconhecer “uma evolução positiva recente na cidade da Praia” relativamente à pandemia de covid-19, que se acentuou nos últimos dias, com uma forte quebra no número de novos casos diários da doença.

A resolução que entrou em vigor atualizou as normas relativas à realização de testes rápidos de despiste à covid-19 nas viagens interilhas, que passam a ser exigidos apenas nas deslocações com destino às ilhas do Sal e da Boa Vista, bem como para quem sai das ilhas de Santiago e do Fogo.

Foi também “flexibilizado um conjunto de medidas” em todo o país, numa “ótica de retorno à normalidade”, desde logo a possibilidade de atividade balnear na cidade da Praia e na ilha do Fogo, das 06:00 às 10:00 e das 12:00 às 15:00, mediante avaliação semanal das autoridades de saúde, bem como a reabertura dos ginásios, obrigando ao cumprimento de várias regras de proteção sanitária e redução da capacidade para 50%.

O atendimento nos restaurantes passou a ser possível até às 23:00 nas ilhas de Santiago e do Fogo, e até às 23:59 nas restantes ilhas, passando as padarias a poder funcionar até às 21:00 e os comércios até às 20:30.

No entanto, mantêm-se fechadas em todo o país discotecas e salões de dança ou de festas, e proibidas as atividades desportivas que impliquem aglomeração de pessoas e as atividades em academias, escolas de artes marciais e de ginástica.

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