Imobiliário residencial mantém dinâmica de recuperação

Volume total de investimento no setor ultrapassou os 97 mil milhões de euros, com um aumento de 35% da atividade no primeiro semestre no país, estando reunidas as condições para que o clima se mantenha positivo no próximo ano.

O ano de 2018 trouxe mais investimento no mercado imobiliário em Portugal, sendo prova disso o aumento de 35% desta atividade durante o primeiro semestre. O volume total de investimento no setor ao nível europeu foi superior a 97 mil milhões de euros, estando o nosso país apenas atrás da Irlanda (94%), da Polónia (100%) e da Holanda (176%).

Uma das expressões que mais se usou nesta área ao longo do ano foi a denominada “bolha”, ficando a dúvida sobre se vale a pena (ou não) continuar a investir no setor. “O imobiliário é um investimento sobrevalorizado pela pequena poupança. É um investimento extremamente ilíquido, carregado de custos de operação e transação e que dificulta a diversificação”, refere Emília Vieira, CEO da Casa de Investimentos.

Paulo Sarmento, “partner” e diretor de Capital Markets da consultora Cushman & Wakefield, frisa que “quando se fala da chamada ‘bolha’ está-se a referir a um setor específico, o do imobiliário residencial”. Sarmento afirma que “há uma série de classes de ativos de imobiliário comercial que continua de muito boa saúde e onde vale seguramente a pena continuar a investir”. Opinião partilhada por Fernando Ferreira, “Head of Capital Markets” da JLL em Portugal, afirmando que apesar de o mercado imobiliário, tal como outros, ser “cíclico”, não acredita que “isso signifique que estamos perante um cenário de ‘bolha’”, até porque “enquanto a procura continuar tão superior à oferta e de tão boa saúde (sem crédito), não prevemos que haja um choque de oferta (efeito ‘bolha’)”, refere.

Por sua vez, Emília Vieira sublinha que têm a palavra os aforradores que “devem investir em ativos reais que estejam expostos ao crescimento da economia mundial, como é o caso de ações de grandes marcas mundiais”.

Com o novo ano a chegar coloca-se a questão sobre se é ou não seguro continuar a investir no mercado imobiliário. Paulo Sarmento destaca que “não se pode falar só em risco sem integrar na mesma equação o retorno esperado. O risco que se corre tem que ser proporcional ao retorno expectável para cada investimento”, realça. Fernando Ferreira assume que “o lado mais desafiante do imobiliário tem a ver com a necessidade de elevado investimento inicial e a pouca liquidez, pois não se compram e vendem imóveis de uma hora para a outra (como se consegue nas ações, por exemplo)”. E qual será a melhor forma de investir? Será mais seguro fazê-lo de forma direta, ou através de um fundo? “Depende muito da natureza jurídica do comprador, de onde está domiciliado, do ativo que está a comprar, de quanto tempo tenciona detê-lo, do perfil de risco que está disposto a correr, do envolvimento pessoal que pretende ter na gestão”, explica Paulo Sarmento da C&W.

Quanto a Fernando Ferreira, reconhece que os fundos de investimento “já tiveram mais incentivos fiscais no passado, o que lhes conferia uma maior atratividade, enquanto hoje em dia são praticamente inexistentes”.

Segundo dados constantes de um relatório do Banco de Portugal (BdP), o mercado imobiliário residencial do país manteve uma dinâmica de recuperação nos últimos anos, com o aumento dos preços e das transações. Até ao segundo trimestre de 2018, os preços aumentaram 33% em termos reais, após terem registado uma queda de 26% entre 2007 e 2013. Face ao período homólogo do último ano, os preços da habitação cresceram 10,1% em termos reais no segundo trimestre de 2018. Em relação aos imóveis transacionados, o primeiro semestre do ano registou um aumento de cerca de 20%, face a igual período do ano anterior (aumento de 30% em montante), atingindo um novo máximo histórico. Quanto aos preços dos imóveis existentes aumentaram 12,6% no segundo trimestre de 2018, face ao período homólogo de 2017, enquanto os preços dos imóveis novos cresceram 6,3%, tendo-se observado, globalmente, uma subida de 11,2%.

Para o ano de 2019, na perspetiva dos investidores “não se antevêem mudanças estruturais sísmicas”, refere Paulo Sarmento, o qual julga “estarem reunidas as condições para a manutenção do clima positivo”.

Ler mais
Recomendadas

“Desigualdade nas comissões bancárias não preocupa Provedoria de Justiça”, diz Deco

A Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (Deco) alerta que a  lei que proíbe a cobrança de comissões pelo processamento de prestações de crédito discrimina milhões de consumidores. Treze milhões de contratos de crédito ficam de fora das novas regras. Deco diz que denunciou esta desigualdade à Provedoria de Justiça, mas que não foi ouvida.

DECO junta-se ao REFIL para incentivar reutilização de embalagens

Apesar de já se encontrar previsto o comércio de bebidas em embalagens reutilizáveis e de produtos a granel, os consumidores ainda não beneficiam de um mercado que lhes permita adquirir, nestes moldes, produtos de limpeza e higiene pessoal, forçando-os a optar por novas embalagens e aumentando, assim, a sua produção de resíduos, colocando em causa as metas portuguesas da sustentabilidade.

Fim da isenção de ISV para ligeiros de mercadorias recebida com desagrado pela ACAP

A Associação Automóvel de Portugal recebeu com desagrado o fim da isenção do Imposto sobre Veículos de mercadorias a partir de julho, medida que aumentará os custos em cerca de 3 mil euros, apenas em ISV.
Comentários