[weglot_switcher]

Impacto sente-se na sociedade e na cidade. Turismo vai resistir

O choque da tragédia vai perdurar na cidade e todos querem que se retirem consequências. No turismo, motor económico, espera-se um embate emotivo, mas depois a normalização.
epa12350268 Rescuers and firefighters operate at the scene after the Gloria funicular cable railway derailed in Lisbon, Portugal, 03 September 2025. At least three people died in the derailment, with emergency services reporting that several were injured and others are still trapped at the scene. EPA/MIGUEL A. LOPES
7 Setembro 2025, 10h50

Auditorias e inquéritos, da Carris, da Câmara Municipal de Lisboa, e das autoridades judiciais são a reação prática, além da dor, para perceber como foi possível o acidente no Elevador da Glória, em Lisboa, que até ao momento vitimou 16 pessoas e deixou outras 22 feridas.
A seguir, olha-se para o futuro, para as consequências que uma tragédia destas num ícone turístico, numa cidade turística, pode ter. A maioria das vítimas do mecanismo que liga a Praça dos Restauradores a São Pedro de Alcântara e ao Bairro Alto são turistas.

Pode provocar “cancelamentos” de reservas, como “resposta emotiva” ao sucedido, mas numa perspetiva de longo prazo “não devem impactar de forma significativa” o turismo português. É esta a leitura que Adão Flores, professor de Gestão do Turismo, no ISMAT, Ensino Lusófona, faz em declarações ao Jornal Económico.

Numa reação imediata, pode ter um “impacto negativo” na imagem do país e do turismo, mas não acredita que isso leve os turistas a preterir o destino Portugal por outras paragens. “Pode haver uma anulação [de reservas], fruto da emoção e de uma reação a quente [ao acidente]. Mas deve ser uma percentagem pequena”, diz. Numa lógica de médio e longo prazo, considera que o setor “não deverá ser afetado”. Isto porque, ao longo dos últimos anos, o turismo português foi tendo um incremento de visitantes fruto de um destino que se apresentou como de “qualidade, desenvolvido, diverso e com diversidade de produtos, e de fazer as coisas bem”.

Adão Flores considera, ainda, que, no caso particular de Lisboa, o poder de atração da cidade tem alcance mundial devido a fatores como a “qualidade de vida” e também “o património, a animação e a gastronomia”. Esta diversidade que Lisboa apresenta faz com que consiga ter um “público muito diversificado”, assinala Adão Flores, o que deverá contribuir para que a cidade não seja afetada, de forma significativa, numa lógica de longo prazo, com o acidente no Elevador da Glória.

Entidades turísticas lamentam
O Turismo de Portugal (CTP) e a Entidade Regional de Turismo da Região de Lisboa expressaram as suas condolências e solidariedade para com os afetados com o acidente no Elevador da Glória (gerido pela Carris).

Da parte da entidade dirigida por Francisco Calheiros foi expressa “tristeza e consternação” com o “trágico” acidente. “Neste momento de dor profunda, expressamos as nossas mais sinceras condolências às famílias e amigos das vítimas, solidarizando-nos com todos os que foram afetados por esta terrível ocorrência. A CTP está ao lado das famílias neste momento de luto e manifesta o seu reconhecimento e apreço para com todas as entidades envolvidas no socorro e apoio às vítimas”, refere.

Já a Entidade Regional de Turismo da Região de Lisboa “lamentou profundamente” o acidente.
A instituição manifestou também a sua “solidariedade às vítimas e famílias, apresentando as suas “sentidas condolências e votos de rápida recuperação”.

Acrescentou a “plena confiança” no trabalho das autoridades competentes, que estão a desenvolver “todos os esforços necessários para apurar as causas do acidente e assegurar as condições” de segurança.

“Essa ação célere e rigorosa será determinante para restaurar a confiança de residentes e visitantes”, considera a instituição. “O Elevador da Glória é parte integrante da identidade de Lisboa e um marco emblemático para todos os que a visitam. Acreditamos que Lisboa saberá ultrapassar o impacto deste acontecimento. Acompanharemos de perto este momento difícil, mantendo-nos solidários com todos os que foram afetados”, disse o Turismo da Região de Lisboa.

A Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT) confirmou, na quarta-feira, que ia realizar uma ação de supervisão ao acidente e que pretendia divulgar os resultados “com a maior celeridade possível”.

O presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, deu também orientações para que fossem suspensas com efeito “imediato” as operações dos ascensores da cidade – Bica e Lavra – e do Funicular da Graça, para a realização de “vistorias técnicas a estes equipamentos”, disse fonte do gabinete do autarca numa nota enviada à Lusa.

O autarca também pediu celeridade na investigação ao acidente, um apelo também feito pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro. Moedas confirmou que solicitou ao presidente da Carris que abrisse uma investigação interna e externa independente ao sucedido.

Já o primeiro-ministro considerou o acidente como “uma das maiores tragédias humanas de sempre da nossa história recente” e agradeceu “os esforços efetuados por todos aqueles que estiveram envolvidos “no socorro às vítimas”.

“Esta tragédia não deve ser alimentada para criar divisões nem para aproveitamento político”, disse Luís Montenegro. Na sequência do acidente, foi decretado um dia de luto nacional, quinta-feira, e três dias de luto municipal.

RELACIONADO

Copyright © Jornal Económico. Todos os direitos reservados.