Importadora da Volkswagen em Portugal triplica prejuízo para 12,4 milhões até setembro

O prejuízo da SAG GEST mais do que triplicou nos primeiros nove meses de 2018, face a igual período do ano anterior, para 12,4 milhões de euros. Os pedidos de matrícula recuaram 26,5% e o retalho automóvel cedeu 7,8%.

Os prejuízos da SAG Gest, empresa dona da importadora de veículso Volkswagen para Portugal, mais do que triplicaram nos primeiros nove meses deste ano, face a igual período do ano passado, para 12,4 milhões de euros, informou a empresa, esta sexta-feira, 9 de novembro.

A empresa liderada por João Pereira Coutinho afirma que se continuou a verificar durante o terceiro trimestre de 2018 “a situação do risco de liquidez, que contribuiu para o declínio da atividade operacional da subsidíaria SIVA”.

Em comunicado divulgado através da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a empresa refere que, no período em análise, a distribuição automóvel das marcas representadas pelo grupo – medido pelo número de pedidos de matrículas – caiu 6,5%, para 16.727 unidades.

No acumulado deste ano, até setembro, foram pedidas 10.178 matrículas da marca Volkswagen (ligeiros), o que representa um decréscimo de 19,8%. A marca Audi caiu 22,8%, para 1.347 unidades, e a marca Skoda cedeu 22,8%, para 948 unidades.

O volume de negócios caiu 5,8%, para 446,9 milhões de euros, e os resultados antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (EBITDA) foram gegativos em 472 mil euros, quando há um ano tinha sido positivos em 11.366 euros.

O valor da dívida consolidada situou-se nos 122,8 milhões de euros, “ligeiramente inferior em relação ao verificado em 31 de dezembro de 2017” (125,2 milhões).

No retalho automóvel, as vendas da concessionária da SAG Gest, a Soauto, caíram 7,3%, para 3.054 unidades, enquanto as viaturas usadas subiram 11,6% (1.509 unidades vendidas).

Segundo o comunicado da SAG Gest, a empresa “continua empenhada em procurar soluções que permitam garantir a sustentabilidade das principais atividades desenvolvidas na área do comércio e da distribuição automóvel, pelo que têm vindo a ser desenvolvidas (…) conversações no quadro de um processo negocial alargado envolvendo potenciais investidores e stakeholders“.

A empresa esclarece que “o desfecho desse processo negocial não se encontra ainda garantido” e que até à data não há “qualquer decisão ou acordo” e não tem a  certeza de que um “eventual acordo venha a permitir salvaguardar a continuidade do Grupo SAG Gest, tal como presentemente tem vindo a operar ou de que tal acordo venha a existir no futuro”.

Em agosto, o Jornal Económico noticiou que a Porsche Holding Salzburg, a maior distribuidora europeia de automóveis, detida a 100% pela fabricante alemã Volkswagen, estava em negociações avançadas para passar a distribuir diretamente em Portugal as marcas que hoje são importadas e distribuídas pela SIVA. Na hipótese de compra da SAG, a Porsche passará, para além da SIVA, que importa a marca Volskagen, a deter também a concessionária Soauto, que incorpora as várias concessões automóveis da marca Volkswagen, pertencentes ao Grupo SAG.

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