Índices de Aceitação e de Oposição: PS votou a favor de mais diplomas do PSD do que do PCP

Plataforma Hemiciclo acaba de lançar uma nova funcionalidade: os Índices de Aceitação e de Oposição que registam o número de vezes que uma determinada bancada parlamentar votou a favor ou contra diplomas de cada uma das outras bancadas. Entre os dados compilados destacam-se algumas surpresas.

Na medida em que o atual Governo do PS tem acordos de incidência parlamentar com o BE, PCP e PEV, a partir dos quais garantiu a sua formação em 2015 (após o derrube do Governo de coligação PSD/CDS-PP), seria expectável que a bancada parlamentar do PS votasse a favor de mais diplomas desses três partidos. Ao longo da XIII Legislatura em curso, porém, o PS votou a favor de mais diplomas do PSD (557, 65% do total) do que do PCP (549, 63%). Em número total de diplomas, o BE lidera o Índice de Aceitação do PS, com 646 diplomas votados favoravelmente. Mas ao nível de percentagem é o PEV quem lidera a tabela, com 82% (262 de um total de 320 diplomas).

Esta é uma das surpresas que se destacam a partir de uma análise aos Índices de Aceitação e de Oposição. Trata-se de uma nova funcionalidade lançada pela plataforma Hemiciclo, “com o propósito de contribuir para uma melhor compreensão do comportamento e padrão de votações de cada uma das bancadas parlamentares. Os Índices de Aceitação e de Oposição pretendem retratar o número de vezes que uma determinada bancada votou a favor ou contra diplomas de cada uma das outras bancadas, face ao número total de votações ocorridas no Plenário. Isto é, demonstram a quantidade relativa de vezes que cada bancada votou pela aprovação ou pela rejeição de diplomas oriundos das outras bancadas”.

No Índice de Oposição da bancada parlamentar do PS há dois líderes, CDS-PP e PAN, ambos com 29% (embora o CDS-PP tenha muitos mais diplomas reprovados pelo PS, 199 no total, do que o PAN, com 97), seguidos de perto pelo PCP com 28% (241 no total). Ao passo que o PEV é também o partido com menos diplomas (18%, 59 de um total de 320) reprovados pelos deputados do PS. No âmbito desta tabela importa também salientar que o PS votou contra mais diplomas do BE (215, 23%) do que do PSD (200, 23%). Este fenómeno pode ser explicado pelo maior número de iniciativas do BE (938) e do PCP (866), em comparação com o PSD (852), mas a diferença entre os comunistas e os sociais-democratas é diminuta e não deixa de ser um indicador relevante este nível de aceitação do partido do Governo relativamente ao principal partido da oposição.

Esse nível de aceitação é recíproco, o que pode ser interpretado como mais uma surpresa. No Índice de Aceitação da bancada parlamentar do PSD, o líder isolado é o CDS-PP com 89% dos diplomas (618 no total) votados favoravelmente, seguindo-se o PS com 71% (501). Mais previsível é o baixo nível de aceitação dos diplomas do PCP (41%) e do BE (46%) pelos deputados do PSD. A meio da tabela estão o PEV (63%) e o PAN (56%). Quanto ao Índice de Oposição do PSD, os números relativos ao CDS-PP (2%) e ao PS (13%) são muito baixos. Em contraste com os votos desfavoráveis do PSD a iniciativas do PCP (37%) e do BE (30%), colocando em evidência a grande distância estratégica e ideológica entre os partidos em causa.

Através dos dados compilados pela plataforma Hemiciclo comprova-se a relação umbilical entre o PCP e o PEV, com níveis de aceitação e de oposição próximos de 100%, reciprocamente. Menos expectável é o facto de o PS e o BE estarem empatados no Índice de Aceitação da bancada parlamentar do PCP, com 83% dos respetivos diplomas votados favoravelmente, embora os bloquistas tenham mais diplomas aprovados no total do que os socialistas.

Outro dado surpreendente está no Índice de Aceitação da bancada parlamentar do CDS-PP: apesar da relação de hostilidade aberta entre a líder dos centristas, Assunção Cristas, e o líder dos socialistas e primeiro-ministro António Costa, o facto é que o CDS-PP votou a favor de 73% dos diplomas do PS, não muito distante do nível de aceitação relativamente ao PSD, com 88% e líder da tabela. No plano inverso, os deputados centristas votaram mais vezes contra iniciativas do PCP (34%) e do PAN (30%). Este indicador estatístico será atualizado a cada nova votação no Parlamento.

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