Portugal Exportador: Iniciativa 100% digital “supera expectativas”

Pedro Braga, diretor-geral adjunto da Lisboa Feiras Congressos e Eventos, diz ao JE que as empresas portuguesas aderiram ao novo formato e contabiliza uns expressivos 1.425 participantes nas sessões e o agendamento de cerca de 500 reuniões.

“Resistir com todas as forças que se tem e preparar a economia para o novo ciclo pós-Covid, respeitando os imperativos de segurança sanitária, é o grande desafio que se coloca às empresas e às autoridades públicas, na expectativa que a ciência e a tecnologia, permitam disponibilizar dentro de alguns meses as almejadas vacinas e outros fármacos”. As palavras de Pedro Braga, diretor-geral Adjunto da Lisboa Feiras Congressos e Eventos, ao Jornal Económico, no final da 15.ª edição do Portugal Exportador, apontam para a luz ao fundo do túnel, uma imagem simbólica que também está associada a esta iniciativa da Fundação AIP, desenvolvida em parceria com o Novo Banco e a Aicep Portugal Global.

“O Portugal Exportador tem sido o grande barómetro da trajetória da internacionalização da economia e das empresas portuguesas, particularmente através da exportação”, salienta Pedro Braga. E lembra o ponto de partida: “de um peso de cerca de 30% do PIB, as exportações atingiram em 2019 cerca de 44% do PIB, o que é notável. E isso deve-se em primeiro lugar ao esforço, capacidade e determinação das empresas, incluindo as PME”. Também reconhece o “papel positivo” de alguns incentivos e políticas públicas em matéria de internacionalização.

A edição 2020 do Portugal Exportador foi 100% digital. Em virtude do estado de emergência que se vive e na sequência da notificação recebida da Autoridade de Saúde, as parceiras da organização anuíram. O tempo foi curto para preparar a iniciativa, mas as empresas, de norte a sul do país e dos mais variados setores disseram presente, participando e interagindo na plataforma digital do evento.

Que balanço faz? “O evento superou largamente as nossas expectativas. Não só pelos conteúdos e partilha de informação de cada um dos nove workshops, e dinamização de oito cafés temáticos, mas também pelas reuniões de negócio que se concretizaram ao longo do dia, quer colocando business angels e capital ventures em contacto com startups, quer igualmente pela dimensão de networking que foi efectuado, através da plataforma digital do evento, entre expositores e visitantes”.

No final, contas feitas, a Portugal Exportar 2020 contabiliza: 1.425 participantes nas diversas sessões online, de que resultou o agendamento de cerca de 500 reuniões entre eles e 3.748 trocas de mensagens, o que revela o nível de interacção e a possibilidade de negócios efetiva que poderá ter nascido no seio do evento. Participaram ativamente empresas dos mais variados setores, com destaque para os setores dos transportes e logística, alimentar, turismo, banca e seguros.

“A alteração do formato, devido à pandemia, acabou por acelerar o processo de reinvenção deste que é o evento mais importante ligado à internacionalização das empresas portuguesas”, adianta Pedro Braga. Ou seja, veio impulsionar um “salto digital” num curto espaço de tempo, que promete continuar. “Estamos convencidos que esta aprendizagem vai ser muito útil no pós- Covid”. O responsável da Lisboa Feiras Congressos e Eventos adianta ainda que a plataforma do Portugal Exportador já configura um dispositivo de inteligência de mercados que permite às empresas interagirem, aumentando as suas redes de contactos e concretizarem negócios não só no decorrer do evento, mas fora dele. Ao longo dos 364 dias do ano, dado que a plataforma se manterá ativa, disponibilizando também em live streaming os diversos conteúdos dos workshops e cafés temáticos.

A plataforma é uma ferramenta de utilidade para as empresas, sobretudo as de pequena e média dimensão que ambicionam chegar aos mercados externos. Pedro Braga lembra que o número das exportadoras portuguesas tem vindo a aumentar nos últimos anos e que este aumento foi impulsionado como resposta à crise de há dez anos. Há que tirar ilações para o futuro e continuar a olhar para a luz que desponta ao fundo do túnel.

“Um dos grandes desafios que Portugal enfrenta será, sem dúvida, o da maior competitividade e valor acrescentado das suas empresas. Só assim conseguiremos um modelo sustentável de criação de riqueza”, afirma o responsável da Lisboa Feiras Congressos e Eventos. A inovação, acrescenta, “será igualmente essencial para o sucesso das empresas e da economia portuguesa e a digitalização constitui uma alavanca fundamental para responder aos desafios futuros”.

Em substância, “a cultura digital das organizações, como procura de maior produtividade e de maior competitividade é uma oportunidade para as empresas passarem do mercado local para o global, com novos modelos de negócio”.
Pedro Braga diz ainda que “também será necessário que as empresas tenham visão”, que se saibam “adaptar rapidamente a diferentes contextos” e estar atentas “às reais necessidades do mercado”. A sustentabilidade das empresas irá certamente “depender da sua capacidade de diferenciação e especialização em cada momento”, conclui.

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