Iniciativa Liberal responde a Pedro Nuno Santos: “Somos fanáticos contra a nacionalização”

João Cotrim Figueiredo recusa a nacionalização da TAP e garante que a Iniciativa Liberal “continuará a liderar a oposição para impedir que os adoradores do Estado abram mais um buraco sem fundo para todos pagarmos”.

Cristina Bernardo

O presidente da Iniciativa Liberal, João Cotrim Figueiredo, respondeu ao ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, que disse na Assembleia da República que “só os fanáticos da Iniciativa Liberal acham que podemos deixar cair a TAP”. O líder partidário recorreu à sua conta de Twitter para escrever que os liberais são tão fanáticos quanto metade dos portugueses que, segundo estudos de opinião, estão contra a injeção de dinheiro público na transportadora aérea.

“A Iniciativa Liberal continuará a liderar a oposição para impedir que os adoradores do Estado abram mais um buraco sem fundo para todos pagarmos”, escreveu o deputado único do partido, declarando-se abertamente contra a nacionalização da TAP.

Essa possibilidade foi avançada nesta terça-feira pelo “Expresso”, tendo em conta a recusa das condições impostas pelo Governo para ajudar a empresa pelo conselho de administração, e admitida por Pedro Nuno Santos. O responsável pela tutela começou por não dizer taxativamente, nas respostas aos deputados da Comissão de Economia, se tal acontecerá se não for possível chegar a acordo com os acionistas privados para o saneamento financeiro da empresa, preferindo referir-se a “uma intervenção mais assertiva do Estado”, mas num momento posterior deu conta de que a nacionalização é um cenário em cima da mesa.

Antes disso, Pedro Nuno Santos disse aos deputados que “só os fanáticos da Iniciativa Liberal, que são fanáticos religiosos e têm uma religião que é o mercado livre, acham que nos podemos dar ao luxo de deixar cair a TAP”, pois “no dia seguinte a TAP é substituída por outra companhia qualquer”.

Proposta liberal sobre injeções na TAP chumbada no Orçamento Suplementar

Em comunicado, a Iniciativa Liberal salientou que foi o primeiro partido a afirmar-se “absolutamente contra a nacionalização” da transportadora aérea, tendo apresentado uma proposta de alteração do Orçamento Suplementar para que qualquer ajuda do Governo à TAP tivesse de passar primeiro pela Assembleia da República. Mas a proposta foi chumbada na votação na especialidade do documento nesta terça-feira, com votos contra do PS, PSD, Bloco de Esquerda e PCP, enquanto CDS-PP, PAN e Chega juntaram os seus votos ao de João Cotrim Figueiredo.

Para os liberais, o PSD “teve a oportunidade, mas não a aproveitou”, de votar contra a nacionalização da TAP, numa operação comparada a “um Novo Banco”, na medida em que defendem que o custo para os cofres públicos decorrente da intervenção na empresa poderá atingir dois ou três mil milhões de euros.

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