Inovação é a forma de manter população no interior

A aposta na inovação é um dos factores fundamentais para a criação de condições para a fixação de talento no interior. O tema ‘Como fomentar a inovação no interior?’ foi debatido no ciclo de conferências ‘Portugal Inteiro’, resultado da parceria entre a Altice e o Jornal Económico.

Cristina Bernardo

“Estamos a desenvolver com a UTAD projetos comuns” que são não só para manter, como para aumentar, disse Miguel Pinto, da Continental/Kathrein Automotive, no âmbito do segundo painel, dedicado ao tema ‘Como fomentar a inovação no interior?’, do ciclo de conferências ‘Portugal Inteiro’, da responsabilidade da parceria entre a Altice e o Jornal Económico, cujo tema específico é ‘Inovação: o interior como oportunidade’.

São este tipo de projetos que tornam a indústria do país perene: “o crescimento na cadeia de valor é fundamental”, referiu.

De algum modo, essa é a realidade da 4ALL Software, empresas “que tem na sua génese a inovação, que tem estado sempre presente: 65% da nossa faturação em 2018 teve a ver com inovação”, revelou Benjamim Fonseca. “É muito importante que isso aconteça, o que representa a vontade da criação de emprego e de ajudar à fixação dos jovens em Vila Real”, disse ainda.

Vila Real é, de qualquer modo, simples de ‘vender’: a existência de mão-de-obra altamente qualificada – ‘culpa’ da UTAD em grande parte – é fundamental para que exista essa ponte entre empresas e universidade.

Para Vasco Amorim, da Massive Virtual Reality Laboratory, a empresa é prova disso mesmo: “começámos com 10 pessoas, somos atualmente 25”.

A Tree Plus segue o mesmo caminho: João Gama Amaral explicou que, tendo a empresa surgido no âmbito da universidade, a sua inserção na criação de sustentabilidade e de criação de valor é uma aposta para continuar.

O apoio operacional por parte da UTAD foi fundamental para o sucesso do projeto empresarial, recordou Benjamim Fonseca – que voltou à questão dos incentivos fiscais para as empresas que se queiram instalar no interior como imperativa: “é a forma mais rápida de fixar população”.

Por outro lado, “devia incentivar-se a participação de académicos nas empresas, coisa que se perdeu nas últimas décadas”. O contrário é também verdade: “a academia sairia a ganhar com mais presença da indústria” no seu interior. “Há ainda muitas empresas que não fazem a mínima ideia do conhecimento que está na universidade. A culpa é dois dois lados”, adiantou, para concluir que, “neste particular, ainda há algum provincianismo”.

“Tem de haver vontade” para o estabelecimento dessa ligação, disse Miguel Pinto, que recordou dois exemplos acabados desse sucesso: as universidades do Minho e de Aveiro. E essa vontade emana da política: “fala-se muito do interior, mas o sistema político não funciona”, até porque “quem está sentado em Lisboa” tem por vezes uma fraca inserção à realidade do interior.

“As universidades foram uma das melhores apostas de sempre”, recordou Vasco Amorim, mantendo o registo de ligação entre empresas e a academia. “Mas é preciso medir” para se poder aferir, tirar ensinamentos e encontrar soluções estáveis.

Das diversas intervenções, ficou claro que a inovação como forma de aumentar valor ao investimento produtivo é definitivamente uma das formas mais eficazes de manter a chama do interior – ou, dito de outra forma, de promover a sobrevivência de uma parte não negligenciável do país.

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