INSA projeta cenário em que regresso às aulas, baixas temperaturas e Natal agravem número de novos casos de Covid-19

O epidemiologista Baltazar Nunes frisa que Portugal encontra-se numa “situação de controlo epidémico”. No entanto, juntamente com a DGS, o INSA desenhou cenários de possível agravamento da pandemia a partir de dezembro, frisando que “isto são cenários, não são projeções”.

RODRIGO ANTUNES/LUSA

O epidemiologista do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA),  Baltazar Nunes, anunciou que o nível de risco de transmissibilidade (o famoso Rt) encontra-se atualmente, numa média, abaixo de 0,84 a nível nacional, sugerindo uma “redução muito acentuada” em parte por causa da cobertura vacinal e as medidas de restrição determinadas pelas autoridades de saúde.

“É preciso considerar que nunca tivemos com valores tão baixos de R(t) sem medidas de restrição implementadas”, afirmou Baltazar Nunes, esta quinta-feira, durante a reunião de especialistas no Infarmed. “É um cenário que se verifica em todas as regiões do continente”, frisou.

Quanto ao nível de incidência, o especialista estima que dentro de duas semanas, a 30 dias, “estejamos em níveis de incidência de 60 casos por 100 mil habitantes em todas as regiões do país, à exceção de uma: o Algarve. Isto porque a região algarvia “atingiu níveis de incidência mais elevados e vai demorar um pouco mais tempo a atingir os níveis de incidência abaixo dos 60 casos por 100 mil habitantes dentro de duas semanas a um mês”.

Quanto à efetividade da vacina, Baltazar Nunes aponta para uma efetividade, após 14 semanas, alta o suficiente para evitar a doença grave, hospitalização e morte. Os dados sugerem que esta efetividade, nas faixas etárias com mais de 65 anos, se situe na ordem dos 70 e 80%. No entanto, assiste-se a uma redução da efetividade contra infeção com sintomas ligeiros.

INSA e DGS desenham cenários de agravamento da pandemia a partir de dezembro

Apesar destas notas positivas quanto às medidas restritivas e a efetividade da cobertura vacinal, o INSA em colaboração com a Direção-Geral de Saúde (DGS) antecipam que com o regresso as aulas e a época do Natal poderá haver um aumento no número de novos casos, tal como se verificou no ano passado.

Assim, tal como apresentou Pedro Pinto-Leite, da DGS, existem quatro cenários em cima da mesa: num cenário um, o agravamento da pandemia permanecerá abaixo das linhas vermelhas definidas pelas autoridades de saúde, isto tanto em nível de pressão hospitalar como também no número de óbitos a 14 dias por um milhão de habitantes.

Porém, num cenário dois, já se estuda uma redução da proteção da vacina após um ano, e um agravamento dos internamentos e óbitos a partir da segunda quinzena de janeiro. Algo que se verifica também num cenário três, em que se estuda também a possibilidade de uma nova variante registada já em dezembro.

Apesar de tudo, Baltazar Nunes frisa que “isto são cenários, não são projeções”. “Este período é um que devemos assinalar para preparação, acrescentou, sublinhando, no entanto que “até lá estamos numa situação de controlo epidémico”.

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A descida da incidência por idade é ainda acompanha por um decréscimo da positividade. “Mostra que mantendo a mesma intensidade de testagem, temos menos vírus em circulação”, tendo Portugal atualmente uma taxa de positividade de 2,5%, abaixo do limiar de 4% definido pelo ECDC.
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