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Instabilidade criada pelos EUA abre oportunidades ao Brasil

Perante o anúncio de novas tarifas pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na quarta-feira, sobre automóveis estrangeiros, que se juntam a tarifas sobre aço e alumínio importados, a secretária do Comércio Exterior do Brasil reconheceu a existência de um “ambiente muito difícil, com um protecionismo crescente e a derrocada do sistema baseado em regras”. 
27 Março 2025, 16h51

A secretária do Comércio Exterior do Brasil afirmou hoje que o crescente protecionismo e ameaça ao sistema multilateral de comércio mundial pelos EUA pode criar oportunidades para o país sul-americano desenvolver novas parcerias mais estáveis.

Perante o anúncio de novas tarifas pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na quarta-feira, sobre automóveis estrangeiros, que se juntam a tarifas sobre aço e alumínio importados, Tatiana Prazeres reconheceu a existência de um “ambiente muito difícil, com um protecionismo crescente e a derrocada do sistema baseado em regras”.

“O comércio está a ser utilizado como uma ferramenta de poder. É um grande risco o comércio ser cada vez mais transformado numa arma, o que cria uma enorme incerteza para todos”, lamentou, durante uma intervenção por videoconferência no evento “Comércio global” organizado em Londres pelo centro de estudos britânico Chatham House.

No entanto, afirmou, da perspectiva do Brasil enquanto uma potência média, esta pode ser uma “oportunidade para construir novas parcerias comerciais” com países interessados em “assumir compromissos jurídicos que (…) proporcionem previsibilidade e estabilidade”.

“Penso que temos potencial para construir novas coligações para navegar em todas estas incertezas. Temos a oportunidade de diversificar ainda mais as nossas parcerias comerciais e, francamente, aprofundar as nossas relações comerciais baseadas em regras com os países que estão dispostos a fazê-lo”, defendeu.

Prazeres referiu o acordo de comércio do Mercosul com a União Europeia (UE) alcançado em dezembro, as negociações com a Associação Europeia de Comércio Livre (EFTA, composta pela Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça), e os contactos com Singapura como exemplos de “trabalho em diferentes frentes”.

“Graças à conclusão destes grandes acordos comerciais e ao cenário comercial muito difícil e desafiante, o que vemos hoje é os países a olharem para o Brasil, vemos países fortemente dependentes de uma grande economia a olharem para nós para diversificarem as relações comerciais e acreditamos que isso cria oportunidades”, afirmou.

A responsável disse que o Brasil permanece empenhado no multilateralismo, nomeadamente com a Organização Mundial do Comércio (OMC), mesmo admitindo a necessidade de reformas.

A secretária do Comércio Exterior brasileira vincou ainda que a tarifa média aplicada a produtos importados do Brasil é de 2,73% porque grande parte dos produtos não são taxados, como o petróleo e aviões, devido ao interesse nacional, mas não disse se o Brasil iria retaliar contra os EUA, como anunciaram a UE e o Canadá.

Na quarta-feira, Donald Trump anunciou que as novas tarifas adicionais de 25% serão aplicadas a partir de 02 de abril a “todos os carros não fabricados nos Estados Unidos”.

Esta medida junta-se a tarifas aduaneiras adicionais de 25% sobre o aço e o alumínio estrangeiros, de 20% sobre as importações de produtos chineses e de 25% sobre todas as importações de qualquer país que compre petróleo ou gás da Venezuela anunciadas anteriormente.

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