Apenas 10% dos consumidores portugueses admite ter tido uma boa educação financeira na escola, metade da média europeia que é de 20%, revela o European Consumer Payment Report 2025 (ECPR2025), realizado pela Intrum, que o divulga este sábado, 24, em que se assinala o Dia Mundial da Educação.
A ausência de educação financeira durante a infância está na base de muitos dos comportamentos que, mais tarde, conduzem à fragilidade económica, ao sobre-endividamento e à incapacidade de poupança. Segundo o estudo, apenas metade (51%) recebeu dos pais noções básicas de gestão do dinheiro e menos de um terço (29%) referiu sentir abertura para discutir finanças (média europeia de 46% e 35%, respetivamente).
Por outro lado, 25% dos inquiridos recordam o dinheiro como uma fonte frequente de tensão familiar, em linha com a média europeia que é de 26%.
A conjugação destes fatores ajuda a explicar porque é que tantos consumidores hoje que enfrentam dificuldades para gerir o seu orçamento, pagar as suas contas ou planear o futuro.
“A escola continua a falhar na preparação financeira dos cidadãos. O resultado é um ciclo de fragilidade que começa na infância e se arrasta até à idade adulta. Sem literacia financeira, não há verdadeira igualdade de oportunidades”, afirma Luís Salvaterra, diretor-Geral da Intrum, empresa que opera no sector de serviços de gestão de crédito na Europa.
“O acesso à educação financeira deve ser universal, obrigatório e estruturado desde cedo. Só assim conseguiremos quebrar o ciclo de fragilidade e garantir que todos têm a oportunidade real de construir uma vida financeira estável”, adianta.
Com base no novo Índice de Gestão do Dinheiro, elaborado para o European Consumer Payment Report, a análise da Intrum segmenta os consumidores em três perfis: 1) Frágeis, com risco de vulnerabilidade financeira e dificuldade em cumprir as suas obrigações, 2) Adaptados, que conseguem equilibrar o dia-a-dia, mas têm pouca capacidade de lidar com imprevistos e 3) Resilientes, os que são financeiramente estáveis e confiantes. As diferenças entre estes grupos são visíveis desde o ambiente familiar.
Entre os consumidores considerados Frágeis (26% do total de consumidores inquiridos), apenas 5% tiveram formação financeira na escola. Mais de um terço (39%) cresceu num ambiente de stress constante relacionado com dinheiro.
Em contraste, entre os Resilientes (12% do total), 62% aprenderam com os pais a gerir finanças, 36% discutiam abertamente o tema em casa e 19% receberam educação financeira formal na escola — quase o dobro da média nacional.
Por outro lado, 23% dos consumidores Frágeis consideram a terminologia financeira confusa e geradora de stress, percentagem em linha com a média europeia – 24%. Estes consumidores são também os mais propensos (39%), entre os três grupos, a afirmar que lhes falta tempo para aprender, face aos 7% no grupo dos Resilientes. Este ciclo deixa-os vulneráveis a problemas financeiros mais profundos.
O relatório mostra que a presença de educação financeira na infância está diretamente ligada a uma maior estabilidade económica na vida adulta. Os dados sugerem ainda que esta aprendizagem pode ser intergeracional: os filhos de famílias onde se falava de dinheiro com abertura e segurança estão hoje mais preparados para lidar com decisões financeiras complexas.
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