Irão capturou mais um petroleiro no Estreito de Ormuz

Negociações entre Teerão e os países que mantém vivo o acordo nuclear continuam em Viena. O regime iraniano quer ver reconhecido seu direito a continuar a vender petróleo.

Raheb Homavand / Reuters

O Irão capturou este fim-de-semana mais um petroleiro estrangeiro (dersta vez com bandeira iraquiana) no Golfo Pérsico sob acusação de contrabando de combustível e prendeu os sete tripulantes da embarcação, segundo informou a agência de notícias estatal iraniana Irna. É o terceiro navio capturado pelas forças navais da Guarda Revolucionária Iraniana em menos de um mês.

Em 14 de julho, o navio-tanque britânico Stena Impero foi capturado e, pouco depois, outro petroleiro – o Riah, com bandeira panamiana mas propriedade de uma empresa britânica – foi controlado antes de ser autorizado a seguir a sua rota.

A última captura de uma embarcação estrangeira, ocorrida na última quarta-feira, seguiu o mesmo padrão das anteriores. As autoridades iranianas dizem que o petroleiro carregava 700 mil litros de combustível transferidos de outros navios em alto mar, para países árabes, segundo o general Ramezan Zirahi, considerado próximo da Guarda Revolucionária. O navio capturado foi conduzido até o porto de Bushehr e a carga foi entregue à Iran Petroleum Products Distribution Company, em conformidade com uma ordem judicial.

A terceira abordagem iraniana de um petroleiro nas águas do golfo ocorreu um mês após a captura do petroleiro Grace 1 pela Marinha britânica nas águas de Gibraltar sob a acusação de violar o embargo da compra de combustível à Síria. Tanto os Estados Unidos como o Reino Unido tentaram envolver outros países europeus, para já sem obterem resultados, na organização de um destacamento militar para o Golfo, no sentido de garantir a navegação através do Estreito de Ormuz.

O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, alertou este domingo, em Viena, para que o seu país continuará a reduzindo os seus compromissos se o chamado Plano de Ação Conjunto (JCPOA) assinado por Teerão com as grandes potências em 2015 não for cumprido pela outra parte.

O enviado iraniano reuniu-se mais uma vez na capital austríaca com delegados da União Europeia, França, Reino Unido, Alemanha, China e Rússia, países que mantêm o pacto nuclear após a retirada dos Estados Unidos há um ano. Washington, que busca um acordo nuclear mais restritivo que feche a porta às armas atómicas e aos mísseis balísticos de longo alcance, regressou às sanções económicas contra Teerão. O governo de Berlim, que mantém aberto o caminho para uma solução diplomática, declinou a proposta norte-americano de participar numa missão para proteger os navios no Estreito de Hormuz.

Para o negociador iraniano, a captura do petroleiro do seu país pela Marinha britânica representou uma violação do acordo nuclear. “Os países signatários não devem impedir a exportação de petróleo bruto iraniano”, disse Araghchi, referindo-se à iniciativa de Londres de mobilizar uma missão naval europeia em coordenação com a França e a Alemanha.

Teerão exigiu que o resto dos países que assinam o acordo nuclear reconheçam o seu direito de continuar a vender petróleo, apesar das sanções impostas pela administração do presidente Donald Trump. “Os Estados Unidos estão a violar a resolução do Conselho de Segurança que autoriza as nossas exportações de petróleo depois da assinatura do acordo nuclear”, disse Araghchi.

Ler mais
Recomendadas

China suspende viagens organizadas na China e ao exterior devido ao coronavírus

A partir de segunda-feira as agências de viagens chinesas não poderão mais vender reservas de hotel nem viagens em grupo.

Xi Jiping adverte que “situação é grave” e “propagação do coronavírus acelera-se”

O Presidente chinês, Xi Jiping, admitiu hoje que a China enfrenta uma “situação grave” devido à “propagação acelerada” do novo coronavírus, mas assegurou que o país pode “vencer a batalha” contra o vírus.

Luanda Leaks: Ministra das Finanças de Angola diz que é preciso respeitar os órgãos judiciais

A ministra das Finanças de Angola, Vera Daves, afirmou, em Davos, que é necessário “respeitar o trabalho dos órgãos judiciais” nos casos de alegada corrupção em Angola, lamentando que “apenas alguns” sejam mediáticos.
Comentários