As novas Obrigações do Tesouro de Rendimento Variável (OTRV) não convenceram os investidores. A procura ascendeu a apenas 612 milhões de euros, ficando 39% aquém da meta de financiamento de mil milhões que o IGCP pretendia, no entanto, a presidente da Euronext Lisbon considera que “é um instrumento positivo que deve ser mantido”. Isabel Ucha revelou mesmo que já manifestou a sua opinião junto do Governo e do IGCP.
“É um instrumento relevante porque dá oportunidade aos investidores de investirem num produto com risco de preço limitado e que contribui para a literacia financeira. Esperemos que o Governo mantenha esse instrumento, apesar de haver momentos em que possam ser mais atrativos, que outros”, disse acrescentando que o facto de as Obrigações do Tesouro para o retalho poderem ter níveis de procura inferiores, tendo em conta as taxas de juro, não deve ser motivo para desistir deste produto.
Isabel Ucha apresentou esta quinta-feira as Prioridades Estratégicas do Plano “Innovate for Growth 2027”.
No balanço do ano passado destacou que o valor total das emissões de obrigações subiu 10,2%. “Em 2025 destacou-se a emissão da OTRV em julho de 2025, no valor de 612,3 milhões, e que contou com uma elevada participação do segmento de retalho”, refere a Euronext.
Segundo a apresentação da Euronext a ativação do segmento de retalho dinamizou o mercado secundário de dívida no qual estes investidores representaram 52% da negociação, traduzindo um ligeiro aumento face a 2024.
O volume de emissões de obrigações cresceu, sobretudo no setor financeiro e no setor público.
A nível europeu foi lançado o Euronext ETF Europe.
No balanço de 2025, a Euronext destaca o lançamento de um novo índice europeu de autonomia estratégica. A EDP é a única empresa portuguesa presente neste índice, por ter cumprido as duas condições, setoriais e de dimensão. No entanto, “como todos os índices têm revisões periódicas, é sempre possível haver revisões”, explicou Isabel Ucha.
Destaque também para o European Defense Bond Label, um rótulo Europeu de Obrigações de Defesa que facilita a canalização de capital privado para projetos de Defesa e de Autonomia Geoestratégica na Europa; e para o IPOready Defence, o maior programa pré-IPO da Europa para apoiar empreendedores na compreensão e preparação para IPO e direcionado pela primeira vez ao setor Aeroespacial e Defesa.
Bem como destaca a 1ª Edição Funding Days para o setor Aeroespacial e Defesa (evento para empresas do setor aprofundarem o conhecimento dos mercados de capitais e conectarem-se com investidores); e ainda o Elite European Aerospace & Defence Growth Hub (o programa Elite para o setor Aeroespacial e Defesa).
A Elite é a rede europeia de empresas privadas que acelera o acesso ao capital privado e público.
Para 2026, Isabel Ucha não quis fazer comentários à possibilidade de a Tekever, empresa portuguesa líder em drones e defesa, que atingiu o estatuto de unicórnio em 2025 com uma avaliação superior a 1,17 mil milhões de euros, poder pedir a admissão à cotação.
Há no entanto uma empresa que já manifestou interesse em entrar em bolsa em Portugal. A Savannah Resources, empresa do projeto de lítio em Boticas, planeia entrar na Bolsa de Lisboa (Euronext Lisbon) em 2026, para fortalecer a sua presença no mercado português após sucesso em aumentos de capital.
A presidente da Bolsa, destacou, na sua apresentação, que a Euronext consolidou a sua posição de líder no listing de ações na Europa: foram 76 novas admissões ocorridas durante o ano de 2025, o que traduz um aumento de 15% face a 2024.
“A Euronext continuou a ser a Bolsa preferida na Europa para IPOs”, frisou Isabel Lucha.
No que toca a Portugal, no final do ano de 2025, a capitalização bolsista atingiu 93 mil milhões de euros, o que traduz um crescimento de 11% face ao valor verificado no final de 2024. Registaram-se 4 novas admissões de empresas nos mercados da Euronext Lisbon durante o ano de 2025.
Deu ainda conta do aumento do valor médio diário de negociação de ações face ao ano anterior. “Mais 33% em relação a 2024 e mais 88% face aos níveis pré-pandemia”, referiu a Euronext que destacou que 18% é a quota do investidor de retalho. “Os investidores particulares continuam a ter um peso expressivo na negociação de ações em Portugal”, revelou a presidente da Euronext Lisbon. Estes 18% estão acima da média de outros mercados Euronext.
No Road Map da Euronext em Portugal para este ano está aumentar a liquidez e a eficiência do mercado; acelerar o crescimento e financiamento das empresas; e promover um mercado mais eficiente e sustentável.
“Temos um ambicioso plano de trabalho para 2026, focado na aceleração das empresas portuguesas (Elite e IPO Ready), na promoção do mercado, e no desenvolvimento de Corporate Services e serviços de posttrade”, refere a presidente da Euronext Lisbon.
“A Euronext, em Portugal, continuará a crescer, ocupando um lugar cada vez mais relevante no Grupo Euronext, como polo tecnológico, de post-trade e de serviços”, promete Isabel Ucha.
A gestora da Bolsa de Lisboa disse ainda que “via com muito agrado que se reconheça a importância dessa iniciativa [conta de poupança e de investimento], através do apoio explicito da CMVM.”
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