Israel: coligação ‘anti-Netanyahu’ “está a avançar”

A coligação liderada pelo partido Yair Lapid pode escolher o líder do Yamina, mais à direita, como proposta para primeiro-ministro, o que pode ‘afugentar’ a esquerda.

Yair Lapid, líder do partido Yesh Atid, Naftali Bennett, dirigente do Yamina, e Gideon Sa’ar, do Nova Esperança, têm mantido um contacto estreito para a formação de uma coligação com força parlamentar suficiente para ser uma alternativa ao atual primeiro-ministro interino, Benjamin Netanyahu.

Mas a estratégia que lhe está subjacente pode não ser a necessária para agregar os partidos do centro e do centro-esquerda em torno do projeto. É que Yair Lapid – que ficou em segundo lugar nas eleições, tem em mãos a tarefa de formar uma coligação e um governo, mas a função de primeiro-ministro pode ir parar às mãos de Benett. Ora, o líder do Yamina está bem mais à direita que o moderado Lapid e tem atrás de si um largo historial como apoiante de Netanyahu, o que não só não agrada aos partidos que representam a minoria árabe israelita, como não será a melhor opção para convencer Benjamin Gantz e a sua (mais ou menos desfeita) coligação Azul Branca a aderir ao plano.

Perante esta evidência, os envolvidos afirmaram que o lugar de primeiro-ministro poderia ser assegurado em regime de rotatividade – tal como aconteceu com o anterior governo de coligação entre o Likud (de Netanyahu) e Benjamin Gantz. De qualquer modo, este regime não será por certo o mais eficaz em termos de gestão do gabinete.

Mesmo assim, o Yesh Atid disse em comunicado citado pela imprensa israelita que as negociações “avançaram positivamente”, com acordos praticamente fechados em muitas áreas.

Entretanto, Bennett também já se encontrou, separadamente, com o líder do Partido Trabalhista, Merav Michaeli.

Recorde-se que o Presidente Reuven Rivlin anunciou esta quarta-feira que havia incumbido Lapid de formar o próximo governo de Israel, depois que Netanyahu ter admitido que não conseguiu construir uma coligação nos 28 dias que lhe foram dados para o fazer.

Apesar de reconhecer as dificuldades em formar um governo de unidade, Lapid disse que a ‘sua’ coligação “terá um objetivo simples: tirar o país desta crise – a crise do coronavírus, a crise económica, a crise política e principalmente a crise dentro de nós, dentro do povo de Israel”.

Vários membros do Yamina no Knesset, o Parlamento, disseram que Netanyahu tem tentado persuadi-los a desertar do partido e a declarar a sua oposição a entrar em uma coligação com partidos de esquerda.

Se o partido Yesh Atid não conseguir formar uma coligação durante a sua ‘janela de oportunidade’ 28 dias, que termina a 2 de junho, será tentada uma votação no Knesset com o centro em qualquer um dos seus membros – o que seria uma iniciativa claramente votada ao fracasso. Depois disso, e passados 21 dias, o país será forçado a um cenário sem precedentes de uma quinta eleição em dois anos e meio.

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