[weglot_switcher]

Israel: reunião do gabinete de segurança ‘esqueceu-se’ de debater o cessar-fogo

O gabinete de segurança israelita encerrou a sua reunião sem discutir o cessar-fogo de 60 dias e o acordo de libertação de reféns proposto pelo Hamas, dando clara indicação de que o avanço militar sobre o enclave é a única opção em cima da mesa.
epaselect epa11837257 People gather to watch the military helicopter carrying three Israeli female hostages, Romi Gonen, Emily Damari and Doron Steinbrecher land at Sheba Medical Center in Ramat Gan, Israel, 19 January 2025. The three Israeli female hostages, Romi Gonen, Emily Damari and Doron Steinbrecher received medical treatment after crossing into Israeli territory and met with their families at Sheba Medical Center where they will continue their medical rehabilitation. Israel and Hamas agreed on a hostage release deal and a Gaza ceasefire to be implemented on 19 January 2025. EPA/ABIR SULTAN
27 Agosto 2025, 07h00

A muito esperada reunião do gabinete de segurança de Israel terminou, ao cabo de três horas, sem que, segundo avança a imprensa hebraica, o tema do cessar-fogo tenha sequer sido debatido. Esse ‘esquecimento’ indica, sem qualquer dúvida, que a linha dura do executivo – a extrema-direita e os ultras religiosos – venceu o ‘braço de ferro’ que mantinham com aqueles que advogavam a aceitação do acordo (60 dias de cessar-fogo e a entrega faseada dos reféns).

Dito de outra forma: a única solução em cima da mesa (do governo) é a extensão das ações militares em Gaza – que deverá ocorrer ao mesmo tempo que o executivo apoiará qualquer ato de ocupação da Cisjordânia por parte dos colonos. Dando indicações claras nesse sentido, a reunião acabou a tempo de alguns ministros jantarem em Jerusalém com o Conselho Regional de Binyamin, entidade que administra 44 colonatos e postos avançados judaicos no sul da Cisjordânia.

A reunião ocorreu ao mesmo tempo que uma parte do país se envolveu em protestos que chegaram a atingir um grau elevado de distúrbios. O dia de protestos em massa, organizado em todo o país, pretende insistir na aceitação do acordo para trazer de volta os 50 reféns (20 deles possivelmente vivos) ainda mantidos em Gaza e manifestar oposição aos planos do governo de intensificar a guerra com a iminente conquista da Cidade de Gaza.

Ainda segundo os jornais israelitas, Israel deu a entender ao Egito que não está interessado no acordo por fases e que negociará apenas um acordo abrangente – ou seja, a libertação imediata de todos os reféns vivos.

O encontro serviu também para dirimir clivagens internas. O ministro da Defesa, Israel Katz, e o Chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel (IDF), tenente-general Eyal Zamir, anunciaram que chegaram a um entendimento sobre o processo de nomeação do exército, após tensões entre os dois no início deste mês, devido a uma ronda de promoções no topo da hierarquia. Em declaração conjunta, ambos concordam que o procedimento para nomeações para as IDF continuará a incluir consulta prévia. Assumiram ainda o compromisso da cooperação plena, a manutenção da continuidade do comando e o fortalecimento da capacidade do exército de enfrentar os desafios de segurança. “O processo de nomeação nas IDF é um pilar da gestão de pessoal, e continuaremos a fazer tudo para promovê-lo de forma tranquila e profissional”, diz a declaração. No início deste mês, Katz recusou aprovar uma lista de promoções anunciadas por Zamir – que incluía 14 oficiais promovidos a brigadeiro-general e vários outros cargos de alto comando – dizendo que o seu chefe de gabinete tinha mantido uma discussão sobre o assunto “sem coordenação e acordos prévios”.

Democratas dos EUA com Israel

Entretanto, o Comité Nacional Democrata – órgão que controla o Partido Democrata dos Estados Unidos – rejeitou uma resolução que pedia o embargo da venda de armas a Israel e o reconhecimento do Estado palestiniano, exigindo um cessar-fogo imediato em Gaza. Ninguém estava à espera que a resolução fosse aprovada, mas esta foi a medida mais recente a expor profundas divisões dentro do Partido Democrata sobre Israel. De algum modo, é a primeira fissura no sólido edifício do apoio norte-americano a Israel, igualmente seguido sem hesitações tanto pelos republicanos como pelos democratas.

Foi apresentada uma resolução alternativa, que pedia um cessar-fogo e o aumento da ajuda humanitária em Gaza, a libertação imediata dos reféns e uma solução de dois Estados. No entanto, depois da rejeição da proposta mais ‘radical’, esta segunda foi retirada e não chegou a ser votada.


Copyright © Jornal Económico. Todos os direitos reservados.