Israel tenta obrigar ao adiamento das eleições na Palestina

Nabil Shaath, Conselheiro de Abbas diz que a votação parlamentar marcada para o próximo mês será adiada se Israel não permitir urnas de voto em Jerusalém Oriental. Mas o adiamento pode servir também os interesses da Autoridade Palestiniana.

Nabil Shaath, conselheiro do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, disse esta terça-feira que as próximas eleições nacionais palestinianas serão “muito provavelmente” adiadas se Israel não permitir a votação em Jerusalém Oriental.

Nabil Shaath disse ao jornal libanês An-Nahar que se Israel continuar a ignorar o pedido da Autoridade Palestiniana para realizar as eleições em Jerusalém Oriental, “o processo eleitoral será adiado”.

O governo de Israel tem feito uma série de pressões sobre a Palestina a propósito das eleições. Desde logo através dos serviços secretos israelitas. O Shin Bet – um dos serviços de segurança de Israel, também conhecido por Shabak – pediu ao presidente da Autoridade Palestina que cancelasse as eleições se o movimento Hamas concorresse. Abbas já revelou ter rejeitado o pedido.

A Palestina tem eleições legislativas marcadas para 22 de maio e eleições para a presidência a 31 de julho e Israel está a tentar interferir na dupla auscultação da vontade dos palestinianos. Abbas emitiu um decreto em janeiro marcando as primeiras eleições nacionais na Palestina em mais de 14 anos: as últimas eleições, realizadas em 2006, resultaram numa maioria parlamentar do Hamas. A vitória do Hamas levou a uma guerra interna pelo poder que durou cerca de um ano e meio e que terminou em 2007 com o estabelecimento de dois governos palestinianos rivais: o Hamas na Faixa de Gaza e a Autoridade Palestiniana dominada pelo Fatah na Cisjordânia.

Entretanto, o ministro das Relações Exteriores da Autoridade Palestiniana, Riyad al-Maliki, foi enviado para a Europa para encontrar formas de os parceiros europeus de Israel pressionarem o Estado judaico a não impedir a votação.

Israel ainda não disse se permitirá a votação em Jerusalém Oriental, parte da cidade que capturou à Jordânia na Guerra dos Seis Dias (1967) e depois anexou, numa decisão não reconhecida pela maioria da comunidade internacional.

Recorde-se que, segundo os Acordos de Oslo e de uma série de acordos bilaterais entre Israel e a Organização para a Libertação da Palestina, os palestinianos podem votar nos serviços dos correios designados para o efeito em Jerusalém.

Os comentários de Shaath surgem depois de a Comissão Eleitoral Palestiniana dizer que a maioria da população em Jerusalém Oriental poderá votar nas eleições do próximo mês, independentemente de Israel permitir ou não o voto na cidade.

Mas a questão tem outros contornos políticos. Segundo alguns analistas, a Autoridade Palestiniana tem todo o interesse em adiar as eleições, num quadro em que o movimento Fatah (de Abbas) enfrenta fortes divisões internas, que podem resultar, como aconteceu antes, numa derrota humilhante, mesmo no caso da Cisjordânia. Esse é o maior temor de Israel: uma vitória do Hamas.

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