Itália à procura de governo: de iniciativa presidencial ou segundo o modelo Ursula?

Matteo Salvini não quer outra coisa que não as eleições antecipadas, mas os seus opositores querem tudo menos isso. O Presidente Sergio Mattarella terá que decidir.

Antes de partir para novas eleições, o presidente italiano, Sergio Mattarella – que viu ontem o primeiro-ministro Giuseppe Conte apresentar a sua demissão – tem em vista duas hipóteses para a crise política que se instalou no país há alguns meses: um governo de iniciativa presidencial ou um governo que obedeça ao modelo Ursula.

O modelo Ursula é uma ‘criação’ de Romano Prodi – presidente da União Europeia de 1999 até 2004 e antigo candidato a primeiro-ministro italiano – que, num artigo escrito há alguns dias, afirmava que o Presidente da República devia dar lugar a um governo entre as forças políticas italianas que em Estrasburgo se tinham unido para votarem favoravelmente a eleição da alemã Ursula von der Leyen para o cargo de presidente da Comissão Europeia. A saber: o Movimento 5 Estrelas (M5S) e o Partido Democrata (PD).

Prodi, que é um membro destacado do PD, vem assim secundar as afirmações de Matteo Renzi – ex-primeiro-ministro dos democratas – aumentando assim a pressão para que os dois partidos ultrapassem o que os afasta (e é muito) e insistam no que os une.

O problema é que aquilo que os une pode ser pouco para a criação de uma coligação: a vontade de fazer qualquer coisa que impeça novas eleições e a nomeação de Matteo Salvini, presidente da Liga, como primeiro-ministro.

Renzi tem insistido nessa ideia: se houver eleições e Salvini as ganhar, isso será como ‘entregar o ouro ao bandido’: premiar alguém que é para todos os efeitos o responsável pela crise politica que redundou na demissão de Giuseppe Conte.

Na sua intervenção parlamentar de ontem, o antigo primeiro-ministro não poupou o ‘seu’ ministro do Interior e vice-primeiro-ministro: enquanto Salvini (sentado ao seu lado direito) ia fazendo uma sucessão de caretas (a pontos de haver várias fotogalerias sobre o assunto nos media italianos), Conte acusou-o de ser o mentor da crise, que construiu com base numa agenda pessoal que ultrapassou os interesses do país.

Ao mesmo tempo que o aconselhava a não misturar a iconografia católica com a política, Conte afirmou que Salvini teve, desde a primeira hora, uma postura destrutiva do executivo que ajudou a formar e que a sua demissão é o corolário dessa estratégia.

Por seu lado, Salvini continua a não querer ouvir falar de qualquer outra hipótese que não a da marcação de eleições antecipadas. Mas sabe que tem em Mattarella um poderoso opositor. O problema é que, se Salvini não tiver as ‘suas’ eleições desde já, isso pode acabar por fazer aumentar a força social da Liga.

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