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Empresários já esperavam crescimento abaixo do previsto, mas estão mais otimistas para 2026

Presidente da CIP confessa que “não foi uma surpresa” que Portugal tivesse ficado aquém do objetivo de 2% para este ano, dado que os empresários “já tinham uma noção do que iria acontecer nos próximos trimestres por via das encomendas”. Para este ano, a meta de 2,3% é exequível, considera.
2 Fevereiro 2026, 07h00

Portugal fechou o ano de 2025 com um crescimento de 1,9%, um resultado acima da média da zona euro, mas que falha por 0,1 pontos percentuais (pp) a meta definida pelo Governo. A componente externa foi a que mais pesou sobre a economia nacional, um cenário que não surpreende os empresários, que viam já nas encomendas uma tendência em baixa. Ainda assim, com uma maior estabilidade comercial prevista para este ano, a expectativa é que o objetivo de 2,3% para este ano seja ainda atingível.

Os dados do INE divulgados na sexta-feira, 30 de janeiro, apontam para um crescimento real de 1,9% em 2025, um avanço de igual magnitude ao registado no último trimestre do ano em termos homólogos. No detalhe, a leitura correspondente ao ano na sua totalidade mostra que a procura interna teve um contributo positivo e mais forte do que no ano anterior, ao contrário da externa.

Sendo uma estimativa rápida, não houve ainda lugar à divulgação dos números correspondentes a cada categoria do PIB, mas o INE deixa já sinal que as exportações terão “desacelerado de forma mais pronunciada que as importações”, o que ajuda a explicar o resultado para o ano.

Ao JE, Armindo Monteiro, presidente da CIP – Confederação Empresarial de Portugal, confessa que “não foi uma surpresa” que Portugal tivesse ficado aquém do objetivo de 2% para este ano, dado que os empresários “já tinham uma noção do que iria acontecer nos próximos trimestres por via das encomendas”.

“Esta diminuição do volume de negócios já é consequência da quebra de encomendas que ocorreu no último semestre de 2025, muito naquele período de uma certa incerteza por via de uma política errática da administração Trump, que decreta tarifas que, mesmo que não se venham a concretizar, causam uma paragem”, explica. “Isso teve logo um efeito no PIB e isto é a consequência.”

Recorde-se que os EUA lançaram várias ameaças de disparo nas tarifas de importações oriundas da Europa, tanto no contexto do ‘Dia da Libertação’, como em jeito de sanção, como aconteceu mais recentemente com a rejeição europeia da anexação norte-americana da Gronelândia.

Com o acalmar destas tensões, é previsível maior estabilidade este ano, o que ajudaria os exportadores nacionais e, por conseguinte, a economia como um todo. Ainda assim, a evolução não será homogénea entre sectores, aponta o líder da CIP.

“Não tenho uma perspetiva simétrica – ou seja, não acho que todos os setores vão recuperar da mesma forma. Aqueles que estão a diferenciar a sua produção e que já não estão a competir pela diferenciação pelo preço […] vão estar bem e continuarão a dar-nos boas notícias; outros que ainda não fizeram esse caminho, onde há uma competição muito pela via do preço e que não têm elasticidade para incorporarem no preço qualquer fenómeno nos custos, provavelmente não conseguirão recuperar essa boa performance”, projeta.

Como tal, “não devemos atirar a toalha ao chão” numa fase tão inicial do ano, sendo que não há sinais “que nos digam que é inexequível” atingir a meta de 2,3% de crescimento definida pelo Executivo para este ano.

Um ano de convergência 

Apesar de ficar marginalmente aquém da previsão do Governo, o crescimento português de 1,9% em 2025 coloca o país acima da média da zona euro, que ficou em 1,5%. Olhando apenas para o quarto trimestre, a economia nacional foi a terceira que mais cresceu em cadeia, com 0,8%, a seguir à Lituânia e Espanha, que registaram avanços de 1,7% e 0,9%, e muito acima dos 0,3% da moeda única.

Na análise homóloga, a economia portuguesa surge ultrapassada por um número maior de Estados-membros, com a Irlanda a dominar o ranking, embora os 6,7% reportados sejam ainda provavelmente alvo de revisões consideráveis, dado o peso das multinacionais naquele país.

Acima do avanço homólogo de 1,9% para Portugal estão ainda Espanha, com 2,6%, Lituânia, com 2,5%, e a Chéquia, com 2,4%. Em sentido inverso, apenas a Finlândia registou uma leitura sem variação, com o resto do bloco a conseguir crescimentos positivos na comparação com o quarto trimestre do ano anterior.


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