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Jefferies mantém recomendação de compra de ações do BCP e preço-alvo mas alerta para subida dos custos

“A receita bruta superou em 1% o esperado, mas os custos foram 4% superiores ao consenso. O valor dos custos inclui vários elementos pontuais relacionados com os custos de consultoria para a elaboração do Plano Estratégico em outubro e alguns reembolsos antecipados em Portugal, mas também alguns elementos estruturais, como o maior crescimento salarial acordado e um aumento da remuneração variável dada a melhor rentabilidade do banco”, aponta o Jefferies.
BCP
27 Fevereiro 2025, 10h38

O banco de investimento Jefferies que acompanha as ações do BCP emitiu uma nota de research no dia a seguir à apresentação de resultados anuais, num ano em que o banco liderado por Miguel Maya reportou lucros consolidados de 906,4 milhões de euros em 2024, representando um aumento de 5,9% face ao ano anterior.

A casa de investimento mantém a recomendação de compra das ações, e o price-target de 0,55 euros que já atribuía em novembro do ano passado.

“O BCP reportou um lucro atribuível no 4º trimestre de 192 milhões de euros, superando em 12% face ao consenso de analistas compilado pela empresa (172 milhões de euros). O ROE reportado no 4º trimestre foi de 11%. Os resultados foram positivamente afectados por uma baixa taxa efectiva de imposto em Portugal, dada a utilização dos DTAs (ativos por impostos diferidos) e pelo baixo CoR (custo do risco de crédito)”, dizem os analistas.

O total de imparidades de 236 milhões de euros foi melhor do que o consenso de analistas que esperava 250 milhões de euros, devido a uma qualidade dos activos subjacentes sólida.

O alerta vai para a subida de custos operacionais de 12,4 % em 2024 para 1.307,2 milhões de euros, o que explica que o rácio de eficiência tenha piorado para 36,6%.

“A receita bruta superou em 1% o esperado, mas os custos foram 4% superiores ao consenso. O valor dos custos inclui vários elementos pontuais relacionados com os custos de consultoria para a elaboração do Plano Estratégico em outubro e alguns reembolsos antecipados em Portugal, mas também alguns elementos estruturais, como o maior crescimento salarial acordado e um aumento da remuneração variável dada a melhor rentabilidade do banco”, aponta o Jefferies.

Os analistas apontam ainda que em Portugal o resultado líquido superou em 19% o esperado, ajudado por uma baixa taxa efetiva de imposto dada a utilização mais forte de DTA, mas os Resultados Antes de Impostos também superaram em 6% as estimativas dos analistas, impulsionados por melhores imparidades e receitas, mas parcialmente compensado por custos mais pesados.

No balanço a carteira de crédito desceu ligeiramente face ao trimestre anterior, com uma forte dinâmica de retalho (+1,6% face ao trimestre anterior), tanto em hipotecas (+1,6% face ao trimestre anterior) como em crédito ao consumo (+1,2% face ao trimestre anterior). No entanto, os empréstimos às empresas caíram 3,3% no 4º trimestre face ao 3º trimestre. Os depósitos de clientes aumentaram 1,5% face ao trimestre anterior, com os recursos fora do balanço também fortes, a crescerem 1,5%.

Os analistas destacam ainda que o Millennium BIM em Moçambique no 4ºtrimestre constituiu uma provisão de 39 milhões de euros face à exposição da dívida soberana no país.

As ações do BCP estão a subir ligeiramente 0,21% para 0,59 euros.

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