Jerónimo afirma que Governo está “longe, longe” das posições do PCP no Orçamento do Estado

O líder do PCP diz que não vê abertura do Governo para as propostas do PCP, acrescentando que o partido irá fazer “tudo para que o orçamento corresponda às necessidades nacionais”, “honrando a sua palavra até o fim”.

António Cotrim/Lusa

O líder do PCP, jerónimo de sousa, considerou que o Governo está “longe, longe” das posições dos comunistas no Orçamento do Estado para 2021 (OE2021) e não vê abertura para as propostas do partido.

Em entrevista à agência Lusa, em vésperas do XXI congresso nacional, Jerónimo de Sousa admitiu que, sem “fazer juízos apressados” – “até ao lavar dos cestos é vindima” – o PCP irá fazer “tudo para que o orçamento corresponda às necessidades nacionais”, “honrando a sua palavra até o fim”.

No entanto, o líder comunista não vê, “neste momento”, “essa disponibilidade e garantia por parte do Governo do PS”.

“Podemos dizer que o Governo não se tem aproximado” das posições do PCP, afirmou ainda.

Os comunistas, sublinhou, fizeram “mais de três centenas de propostas” de alteração do Orçamento para o debate na especialidade, que se prolonga na próxima semana no parlamento, e a abertura dada pelos socialistas é considerada insuficiente.

“Aqui ou acolá, o Governo do PS tem procurado corresponder a esta ou aquela proposta do PCP, mas importa lembrar que o que vamos fazer é uma votação final global”, disse, para sustentar que será a “apreciação da globalidade do orçamento que determinará” a posição do partido.

Podem ter existido “duas, três, quatro propostas positivas”, mas nem o prolongamento do “lay off” pago a 100% para 2021, anunciada pelo PS e que o PCP também defendia, é suficiente para convencer o partido comunista.

“Claro que não”, respondeu.

De rajada, aponta logo três áreas em que, segundo defende, há falta de resposta da parte do executivo liderado por António Costa.

Hoje, existe “um problema social grave não só em termos de salários”, mas também com o “lay off”, que “fez mossa na vida de quem trabalha” por “o trabalhador perder [o equivalente] a um salário” de três em três meses.

Quanto ao Serviço Nacional de Saúde, “o necessário reforço que toda a gente parece estar de acordo”, não tem, depois, “medidas concretas” que o ponham em prática.

E no plano económico “há setores muito diversos” a ser atingidos, “particularmente as pequenas e médias empresas”, enquanto, disse, há um “caráter intocável em relação aos grandes grupos económicos, que continuam de vento em popa”.

Jerónimo de Sousa acredita que “o povo e os portugueses” compreenderam a posição do PCP, ao abster-se na generalidade e fazendo depender o sentido de voto da aceitação de propostas do partido e da avaliação global que fará na votação final global, na quinta-feira.

“O que nós não podemos fazer é aprovar um orçamento onde estão ausentes [as respostas] a grandes questões sociais e as grandes questões económicas”, afirmou, recusando criar “ilusões” aos portugueses.

Havendo “avanços” com medidas “no plano estrutural” da parte do Governo, há “uma perspetiva” mas, “a manter-se a situação”, o líder comunista recusa antecipar a posição que o partido “não tem” e confessou: “Mas sentimos o PS longe, longe destes objetivos.”

Poderá o PCP sentir-se corresponsável por uma eventual crise política caso o OE2021 seja “chumbado”? A resposta de Jerónimo resume-se a esta frase: “A nossa primeira responsabilidade é com o povo e não com o PS.”

E sobre se a realização do congresso poder ser entendida como uma “moeda de troca” do Governo em matéria orçamental, Jerónimo de Sousa afirmou, em tom grave, uma “posição séria clara e honrando a palavra”.

“Nunca por nunca, em relação ao governo, e da sua parte em relação ao PCP que alguma vez que o Congresso tenha sido referido como moeda de troca em relação à situação que vivemos. Empenho aqui a minha palavra para dizer que essa questão nunca foi levantada e ou tratada”, disse.

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