Jerónimo de Sousa culpa PS e PSD pelo despovoamento do interior

Em 2011, o Mora possuía 4.978 habitantes, mas, dez anos depois, conta com 4.128 residentes, ou seja, perdeu 17,1% da população (menos 850 pessoas). O dirigente comunista aponta como razão o adiamento de medidas estruturais para fixar a população.

O secretário-geral comunista defendeu esta terça-feira, em Mora, um dos bastiões da CDU no distrito de Évora, que PS e PSD são responsáveis pelo despovoamento no interior do país, apontando a ausência e adiamento de medidas necessárias.

O roteiro autárquico de Jerónimo de Sousa regressou a Mora, concelho que é governado pela CDU desde 1976 e o que contabilizou a maior perda de população no Alentejo Central na última década.

Em 2011, o concelho possuía 4.978 habitantes, mas, dez anos depois, conta com 4.128 residentes, ou seja, perdeu 17,1% da população (menos 850 pessoas), de acordo com os resultados preliminares dos Censos 2021.

O dirigente comunista aponta como razão o adiamento de medidas estruturais para fixar a população e a ausência de outras igualmente necessárias, bem como o “ataque aos serviços públicos”.

“O empenho da CDU esbarra no adiamento e na ausência de medidas do Governo que contrariem o abandono do interior do país. Como tantos outros concelhos da região, Mora sofre do impacto das políticas de sucessivos governos, do ataque aos serviços públicos, da falta de investimento e de emprego”, sustentou.

Exemplo disso, continuou, é a “questão do hospital central público do Alentejo”, uma obra “com importância para a região” e que já estava decidida, ficou “quase cinco anos sem sair do papel” o Governo não justificou este atraso.

Durante o discurso que fez em frente à Associação de Reformados, Pensionistas e Idosos de Mora, Jerónimo de Sousa voltou a atacar a postura dos candidatos autárquicos do PS e do próprio Governo, que “1.000 vezes prometem de novo o que 1.000 vezes antes tinham prometido e não executaram”.

A autarquia de Mora é um de três concelhos no distrito de Évora presididos pela CDU. Os outros são Montemor-o-Novo e Arraiolos.

Avis, no distrito de Portalegre, Moita, Palmela, Santiago do Cacém e Seixal, no de Setúbal, e Serpa, distrito de Beja, também são liderados pela coligação desde as primeiras eleições autárquicas em democracia.

A Coligação Democrática Unitária (CDU) – composta pelo Partido Comunista Português (PCP), pelo Partido Ecologista “Os Verdes” (PEV) e pela Associação Intervenção Democrática – concorre a 305 câmaras nas eleições autárquicas de domingo.

Há quatro anos perdeu nove municípios para os socialistas e contabilizou o pior resultado em eleições autárquicas.

Recomendadas

PremiumUnião fez a força para o centro-direita retirar câmaras aos socialistas

Coligações lideradas pelos sociais-democratas conquistaram mais 20 autarquias sem perder nenhuma. PSD isolado teve saldo nulo com PS.

PremiumEleições geram meia centena de imbróglios autárquicos

Porto e Sintra juntam-se às câmaras em que os vencedores estão em minoria na vereação e na assembleia municipal. Mais complicada que Lisboa talvez só mesmo Évora, e número de executivos minorítários disparou em relação a 2017.

Autárquicas: Chega impõe condições para se coligar com PSD e descarta acordos com PS e CDU

Em conferência de imprensa na sede do partido, em Lisboa, André Ventura abordou os resultados das eleições autárquicas de domingo, onde o Chega elegeu 19 vereadores, para referir que “não haverá qualquer acordo nacional autárquico entre o Chega e o PSD”.
Comentários