Jerónimo de Sousa sobre Rui Rio: “Inquietam-me as expressões sobre o congresso do PCP”

Depois do anúncio da intenção comunista de realizar o seu congresso apesar das restrições e da chuva de críticas que se seguiram, Jerónimo de Sousa relembrou as proibições de que foi alvo na sua carreira sindical antes do 25 de abril, justificando as declarações de Rui Rio com a necessidade de desviar a atenção do acordo do PSD com o Chega nos Açores.

António Cotrim/Lusa

Jerónimo de Sousa defende que as afirmações de Rui Rio sobre o congresso do PCP são uma manobra de diversão para desviar as atenções do acordo com o Chega nos Açores, que tem colocado o holofote sobre os sociais-democratas. As declarações do líder comunista foram feitas à saída de um encontro com os empresários da restauração, hotelaria e similares esta sexta-feira.

“Percebo o doutor Rui Rio, que, estando sob foco – tendo em conta o seu posicionamento de colocar no centro da direita a extrema-direita, reservando um papel secundário a Rui Rio – e tendo sido criticado por isso, acha que encontrou a descoberta da pólvora no congresso do PCP, usando expressões que, pessoalmente, me inquietam”, afirmou Jerónimo de Sousa.

O dirigente comunista recordou os seus tempos de sindicalista antes do 25 de abril para estabelecer um paralelo entre a “proibição” de que falou o presidente social-democrata e o ambiente antidemocrático que se vivia à época, quando as autoridades “não anunciavam, proibiam mesmo”.

“Nem sequer invoco a lei nem a Constituição, que proíbe qualquer proibição da realização de acontecimentos como este do PCP”, reforçou. Jerónimo confirmou ainda que o evento conta já com o parecer favorável das autoridades de saúde.

“Estão criadas as condições, com grande esforço”, sublinhou o secretário-geral.

Quanto ao sentido de voto no Orçamento do Estado para 2021 (OE2021), Jerónimo não se comprometeu com nenhuma posição, garantindo apenas que os comunistas se baterão “até ao fim” do processo de votação para verem incluídas as suas propostas.

Neste sentido, o secretário-geral do PCP deixou aberta a porta à convergência com os socialistas nalgumas matérias, desde que os mecanismos previstos possam “impedir que haja no plano económico e social um retrocesso com consequências dramáticas para quem trabalha e depende do seu negócio”.

No entanto, na questão específica das rendas de espaços não-habitacionais, Jerónimo de Sousa adiantou que o seu partido mantém a sua proposta, reconhecendo a possibilidade de convergência caso a proposta socialista responda “às necessidades absolutas dos pequenos e médios empresários”.

Relacionadas

PCP rejeita cancelar ou adiar Congresso em Loures. “Estamos a exercer um direito político”

Apesar de a data do Congresso coincidir um o pico da pandemia previsto pelos especialistas, os comunistas não que “não há nenhuma razão” para realizar a sua reunião magna e lembram que está em causa “um direito político”. 

Congresso do PCP sem convidados e com redução do número de delegados

De acordo com a Lusa, que teve acesso a informação por parte de fonte partidária, a primeira medida de restrição aplica-se ao número de delegados presentes. Dos 1.200 inicialmente previstos, apenas metade poderão garantir presença neste congresso e nenhum deles terá acesso a mesas, apenas cadeiras.
Recomendadas

PCP quer redução do preço do passe intermodal para 30 euros

Os comunistas fizeram as contas e Jerónimo de Sousa afirmou que os custos desta medida, “uma conquista de largo alcance”, calculados em 50 milhões de euros, “valem bem do ponto de vista social, económico e ambiental”.

Bloco de Esquerda quer auditoria às PPP das SCUT em São Miguel

“Deve ser do interesse de qualquer Governo que estes contratos sejam o mais transparentes possíveis para que assim seja melhor defendido o interesse público”, considerou o deputado do BE António Lima.

“Intrigas, confusão e mau entendimento”: Costa diz que está articulado com o Presidente (com áudio)

“Só pode haver um mal entendido. Por natureza, o primeiro-ministro não desautoriza o Presidente da República. Não é Costa e Marcelo. É institucional”, relembrou o primeiro-ministro esta terça-feira.
Comentários