Jorge Moreira da Silva diz que aumento do investimento no carvão é inconsistente com a sustentabilidade

O diretor de cooperação para a OCDE disse que ainda assim existe “um conjunto de iniciativas que merecem destaque”, tais como os 30 biliões de dólares de ativos que ja têm algum tipo de sensibilidade à critérios de sustentabilidade.

Jorge Moreira da Silva está na OCDE mas estará atento aos desenvolvimentos em torno da liderança do PSD. O antigo conselheiro de Cavaco Silva só admite avançar caso Rui Rio não se recandidate.

Existe uma “incongruência” entre o desenvolvimento sustentável e a dependência da economia mundial dos combustíveis fósseis. “Estão previstos 300% a mais de investimento previsto no carvão à escala global nos próximos dez anos face  aos compromissos de um 1,5 grau [do nível de emissões projetadas para o aumento de temperatura]”, disse Jorge Moreira da Silva, diretor de cooperação para o Desenvolvimento na Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento (OCDE).

O ex-ministro do Ambiente do Governo de Pedro Passos Coelho disse que esta situação demonstra “uma “incongruência e inconsistência”, numa intervenção na conferência anual Via Bolsa 2020 Euronext Lisbon Awards, os prémios da entidade que gere a bolsa nacional, onde são destacados emitentes, intermediários financeiros, jornalistas e outras pessoas ou instituições que tenham desempenhado um papel relevante no mercado de capitais durante o último ano.

“Não basta aumentar o bolo, é preciso transparência. Não se consegue gerir ou incentivar o que não se consegue medir”, realçou, explicando que “temos bons mecanismos de medição, mas temos que encontrar outros”.

Jorge Moreira da Silva apontou, ainda assim, “um conjunto de iniciativas que merecem destaque”, tais como os 30 biliões de dólares de ativos que ja têm algum tipo de sensibilidade as questões ligadas a sustentabilidade.

Deu ainda como exemplo que “quando os bancos de investimento vão assumindo que existe um conjunto de ativos que não podem continuar a ser financiados porque não se identificam com objetivos de sustentabilidade”, mostra que é um tema que já não interessa apenas a organizações para o desenvolvimento.

“Temos um problema de financiamento, mas não de falta de financiamento”, defendeu, explicando que deve haver mais financiamento canalizado para as questões sustentáveis. “Há 2,5 biliões de dólares à escala global que faltam para financiamento [para a sustentabilidade], mas se olharmos para os 382 biliões de dólares de ativos, bastaria 1% deste valor atribuídos anualmente aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável para ter o problema resolvido”, acrescentou.

“O investimento directo estrangeiro desempenha um papel fundamental, mas apenas 10% esta a ser dirigido para contextos de fragilidade à escala global, porque existem insuficiências de reformas estruturais, seja nos países de acolhimento, seja nos países de origem”, acrescentou.

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