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“Jornadas de Luta”: cidadãos guineenses organizam ciclo de conferências e debates políticos em Lisboa

Ana Gomes, eurodeputada e antiga candidata à Presidência da República, Francisco George, médico, antigo Diretor-Geral da Saúde e ex-coordenador do Programa Mundial de Luta contra a Sida, com funções da OMS na Guiné-Bissau e na África Austral, e Tcherno Amadu Baldé, investigador e analista político e de Relações Internacionais, compõem o painel da primeira sessão do ciclo de debates, que decorre este domingo na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.
17 Dezembro 2025, 23h23

O ciclo de conferências “Democracia, direitos humanos e futuro da Guiné-Bissau”, organizado por um grupo de cidadãos guineenses em Portugal, tem início este domingo, dia 21 de dezembro, na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.

Ana Gomes, eurodeputada e antiga candidata à Presidência da República, Francisco George, médico, antigo Diretor-Geral da Saúde e ex-coordenador do Programa Mundial de Luta contra a Sida, com funções da OMS na Guiné-Bissau e na África Austral, e Tcherno Amadu Baldé, investigador e analista político e de Relações Internacionais, compõem o painel – moderado por Sumaila Jaló – da primeira sessão das “Jornadas de Luta”, organizadas como uma “resposta direta à grave rutura da legalidade constitucional, à negação da vontade popular e às violações de direitos fundamentais na Guiné-Bissau”.

Seguem-se outras quatro sessões, previstas para os dias 28 de dezembro, 3, 10 e 17 de janeiro de 2026, para as quais serão convidados diferentes personalidades do mundo académico, jornalistas, agentes culturais e representantes da sociedade civil.

“Este ciclo integra deliberadamente momentos artísticos enquanto forma legítima de leitura crítica da história, da memória coletiva e da resistência democrática, reafirmando que a cultura é também um espaço de intervenção cívica e de construção do futuro”, referem na mesma nota, confirmando a presença de Manecas Costa, Karyna Gomes, Tony Tcheka e Edson Incopté.

“O que hoje se vive no país não pode ser reduzido a mais um episódio de instabilidade cíclica, nem interpretado como uma mera “crise política”. Trata-se, em termos substantivos, de uma ruptura grave da ordem constitucional, resultante de uma encenação de golpe de Estado, cuja finalidade única e clara foi a interrupção violenta de um processo eleitoral legítimo, no qual o povo guineense expressou de forma inequívoca a sua vontade soberana, elegendo os seus legítimos representantes”, lê-se no manifesto que acompanha o programa, que denuncia “uma subversão direta do princípio da soberania popular, uma violação clara e grave da Constituição da República e uma ameaça séria aos direitos, liberdades e garantias fundamentais dos cidadãos guineenses, designadamente às liberdades de expressão, manifestação, participação política e acesso à verdade eleitoral”.

De acordo com a organização, o ciclo de debates é direcionado para a comunidade académica, diáspora africana, decisores políticos, jornalistas, representantes da sociedade civil e público em geral “comprometidos com a defesa da democracia, dos direitos humanos e da legalidade constitucional em contextos de fragilidade institucional”.


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