Josep Borrel insiste numa solução para a ilha de Chipre

O líder da diplomacia externa da União Europeia manteve encontros com os presidentes das duas entidades e afirmou que a União tem de se esforçar para encontrar uma solução. Guterres quer uma reunião conjunta em abril.

A União Europeia está pronta para fornecer “toda a assistência” possível aos líderes cipriotas turcos e gregos e à ONU e disponível para ser envolvida na questão do Chipre, já que é um “problema da União”, disse o chefe de política externa do bloco, o espanhol Josep Borrel esta segunda-feira, depois de acabar de chegar de Chipre.

“Quanto mais cedo a União se envolver totalmente nas negociações de novos acordos, melhor”, escreveu Josep Borrell, depois de se ter encontrado com Ersin Tatar, presidente da República Turca do Norte Chipre (TRNC) e Nicos Anastasiades, presidente de Chipre.

Salientando que a União apoia totalmente a posição da ONU nas negociações sobre a ilha, Borrell escreveu: “A ONU foi muito clara quanto aos parâmetros para encontrar uma paz duradoura: a Resolução 2561 do Conselho de Segurança da ONU, de 29 de janeiro de 2021, relembra a importância de se chegar a um acordo abrangente baseado numa federação com igualdade política”.

“A responsabilidade de encontrar uma solução é, em primeiro lugar, dos próprios cipriotas”, disse. “A União está pronta para fornecer qualquer assistência que tanto os líderes quanto a ONU considerem mais útil”, acrescentou. “O problema de Chipre é claramente um problema da União: Chipre é um Estado-membro da União, agora e depois da reunificação; a estabilidade regional e a prosperidade no Mediterrâneo Oriental estão intimamente ligadas a uma solução para o problema de Chipre”.

Sublinhando que a questão de Chipre também é importante para as relações entre a Turquia e a União, Borrel disse que “O progresso nas negociações de Chipre é mais importante do que nunca”.

Os líderes turcos expressaram ceticismo sobre o envolvimento da UE na questão de Chipre, dizendo que o bloco se mostrou um ator tendencioso na questão. A ilha está dividida desde 1964. Em 1974, um golpe visando a anexação da ilha à Grécia levou à intervenção militar da Turquia e a uma situação de pré-guerra entre os dois países. A República Turca do Chipre do Norte (TRNC) foi fundada em 1983, mas não é reconhecida senão pela própria Turquia.

A questão de Chipre continua sem solução, apesar de uma série de esforços nas últimas duas décadas, incluindo uma iniciativa fracassada da ONU em 2017. Chipre – que a Turquia designa como a parte da ilha cipriota grega – entrou para a União Europeia em 2004, mesmo ano em que não aceitou uma proposta da ONU (o Plano Annan) para encerrar a disputa com o recurso a um referendo.

As Nações Unidas anunciaram recentemente que o secretário-geral António Guterres quer manter uma reunião com as duas partes em Genebra, Suíça, de 27 a 29 de abril. Entre os convocados estão também representantes da Grécia, Turquia e Reino Unido.

No mês passado, o presidente Recep Tayyip Erdogan rejeitou apoiar um sistema federal para reunificar Chipre, insistindo que um acordo de dois Estados é o único que Ancara admite. Ersin Tatar, considerado muito próximo de Erdogan, afirma o mesmo, mas Chipre não quer qualquer acordo que legitime a divisão étnica da ilha.

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