Lado humano das ‘startups’ é o que atrai os investidores de Silicon Valley a Lisboa

Da Silicon Valley a Lisboa, os investidores contactados pelo Jornal Económico gostam de apostar nas competências das equipas das startups que, na maioria das vezes, afiguram-se como um investimento de alto risco. Só depois olham paras se debruçam em análises financeiras e estratégicas dos projetos.

Os investidores que financiam startups atribuem mais importância ao potencial do talento humano que está por trás destes projetos em início de vida do que a qualquer outra componente da empresa. Esta é uma tendência que parece não conhecer barreiras geográficas, sendo seguida por investidores de nacionalidades diferentes.

Da Silicon Valley a Lisboa, os investidores contactados pelo Jornal Económico gostam de apostar nas competências das equipas das startups que, na maioria das vezes, afiguram-se como um investimento de alto risco.

“Investimos em pessoas, por isso 80% dos critérios que norteiam os nossos investimentos estão relacionados com as equipas, as suas competências, as suas histórias e os sucessos e os fracassos passados”, explicou Ricardo Marvão, managing partner da LC Ventures, uma sociedade portuguesa com sede em Lisboa e que tem ativos sob gestão no valor 11,2 milhões de euros. Mas, “os projetos têm de ser inovadores e globalmente escaláveis”, adiantou.

Ricardo Marvão disse que certas startups em que a LC Ventures investiu conseguiram aumentar as receitas de 50 mil euros anuais para os dois milhões de euros em menos de dois anos. “E temos empresas cujas receitas têm crescido de forma estável 50% todos os meses”, salientou.

Da Silicon Valley, a capital mundial da inovação tecnológica, o investidor japonês Masaru Sakamoto do fundo Benhamou Global Ventures, especializado no segmento B2C e que tem 200 milhões de dólares em ativos sob gestão, referiu que, antes de decidir investir numa startup, estuda “o passado do fundador da empresa e da sua equipa”. Depois, entram em ação análises financeiras e estratégicas. Por um lado, disse Masaru Sakamoto, estima “o capital necessário para o projeto vingar” e, por outro, analisa “as tecnologias e a vantagens competitivas” das startups.

Apesar do elevado risco em investir em startups, a Benhamou Global Ventures tem uma taxa de insucesso “inferior a 10%”, disse Masaru Sakamoto .

Ali perto, na Universidade de Stanford, o norte-americano Ravi Belani que é professor naquela faculdade de empreendedorismo e managing director da Alchemist Accelerator, referiu que, antes de dar a luz verde para um investimento, “olha para as equipas” que integram uma startup.

Com um portefólio de investimento em cerca de 300 empresas em início de vida e 24 milhões de dólares em ativos sob gestão, o norte-americano explicou ainda que “procura fundadores distintivos do ponto de vista técnico que têm capacidades de execução”. E, claro, “procuramos equipas que querem penetrar em mercados que são suficientemente grandes para atraírem o interesse de fundos de capital de risco de topo”.

“Temos um acelerador e tipicamente investimos 36 mil dólares nas startups”, disse Ravi Belani. “Acreditamos que nesta fase inicial conseguimos ter um impacto profundo na evolução das startups e ter uma maior influência na sua tomada de decisão”, vincou.

Os investidores participaram na terceira edição da European Innovation Academy, um programa de ensino de empreendedorismo tecnológico que se realizou em Portugal.

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“A avaliação acima de mil milhões de dólares veio reforçar a confiança dos investidores”, afirma ao Jornal Económico Marco Costa, diretor-geral da Talkdesk para a EMEA. Mas não é por as empresas valerem mais de mil milhões que os trabalhadores lá ficam para sempre. “Reter pessoas não passa por ter cadeiras amarelas ou chocolates em cima da mesa”, garante Rui Pereira, cofundador da Outsystems.

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