A coordenadora do BE, Catarina Martins, e o presidente do Chega, André Ventura, escusaram-se, no debate deste domingo, a dizer se viabilizarão governos do PS e do PSD, se nenhum dos dois partidos garantir uma maioria absoluta nas próximas eleições legislativas.
No segundo debate televisivo entre candidatos às eleições legislativas, Catarina Martins defendeu que reforçar o BE como terceira força política – tem atualmente o terceiro maior grupo parlamentar, com 19 deputados – é não dar a maioria absoluta ao PS, que acusou de criar a acrise política que levou à dissolução da Assembleia da República.
Garantiu que o BE não negociará com a direita, mas que também não aceitará situações indefinidas. “Não aceitaremos um pântano”, afirmou.
André Ventura, por seu turno, garantiu que o BE não iria voltar a ser a terceira força política e estabeleceu como seu o objetivo retirar o PS do governo. “Tudo farei para tirar António Costa do poder”, disse.
Sobre o PSD, disse que Rio tem de decidir se prefere o PS ao Chega e que não abdica de ministérios de um governo de direita.
O frente-a-frente entre líderes de extremos opostos do espectro político, a falar necessariamente para públicos distintos, foi marcado por acusações recíprocas, tendo como pano de fundo temas como a corrupção ou a assistência social.
Sobre corrupção, Catarina Martins acusou o Chega de não ter aceitado criminalizar as transferências para offshores ou acabar com os vistos gold, enquanto André Ventura acusou o BE de ter recusado aumentar as penas para corrupção e de ter impedido um inquérito ao financiamento dos partidos.
No tema da assistência social, Ventura acusou o BE de querer “aumentar o RSI para as pessoas ficarem em casa sem trabalhar” ou de “ostracizar” as autoridades, enquanto protege imigrantes; e Martins culpou o Chega por querer dar uma “benesse fiscal” aos mais ricos.
Este foi segundo de 30 debates televisivos entre os responsáveis dos partidos candidatos às próximas legislativas que obtiveram representação parlamentar nas últimas eleições.
Os debates decorrerão entre 2 e 15 de janeiro.
As eleições legislativas foram antecipadas, depois de o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, ter decidido pela dissolução da Assembleia da República, na sequência do chumbo da proposta de orçamento do Estado para 2022.
A proposta de orçamento do Estado para 2022 foi chumbada a 27 de outubro de 2021, na votação na generalidade, com os votos contra do PSD, CDS-PP, Chega, Iniciativa Liberal, à direita, mas também do PCP, do PEV e do Bloco de Esquerda. O PS votou a favor e o PAN e as duas deputadas não inscritas abstiveram-se.
Esta foi a segunda vez, em democracia, que a proposta de orçamento do Estado foi chumbada, mas a primeira em que, em consequência, foi dissolvida a Assembleia da República.
Ouvidos os partidos com assento parlamentar e o Conselho de Estado Marcelo Rebelo de Sousa assinou, a 5 de dezembro, o decreto de dissolução da Assembleia da República e convocou eleições legislativas para o dia 30 de janeiro de 2022.
A campanha eleitoral realiza-se entre 16 e 28 de janeiro.
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