Líder Trabalhista diz que não apoiará nova proposta de acordo de May

Theresa May apresentou hoje uma nova proposta para um acordo do ‘Brexit’, que levará ao Parlamento no próximo dia 03 de junho, mas precisa de uma maioria de deputados Conservadores e Trabalhistas para atingir o objetivo. Corbyn recusa “apoiar uma versão reaproveitada do antigo acordo”.

O líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, disse que não apoiará a nova proposta de acordo para o ‘Brexit’ hoje apresentada pela primeira-ministra britânica, Theresa May, e deputados Conservadores estão descontentes com a solução.

Jeremy Corbyn disse que a nova proposta hoje apresentada por Theresa May para um acordo de saída da União Europeia é apenas “uma repetição da posição do governo”, pelo que não poderá apoiar esta solução.

O líder da oposição já na semana passada tinha abandonado a mesa de negociações com os Conservadores e confirmou hoje não acreditar que May tenha uma solução para o impasse político que tem impedido o Reino Unido de cumprir a decisão do referendo de 2016, que determinou a saída da União Europeia.

Ainda assim, Corbyn aceitou “olhar seriamente para os pormenores do projeto de acordo de retirada, quando ele for publicado”, mas reiterando que nunca aceitará “apoiar uma versão reaproveitada do antigo acordo”.

Theresa May apresentou hoje uma nova proposta para um acordo do ‘Brexit’, que levará ao Parlamento no próximo dia 03 de junho, mas precisa de uma maioria de deputados Conservadores e Trabalhistas para atingir o objetivo.

Poucos minutos após Theresa May ter apresentado a sua nova proposta, também no Partido Conservador, vários deputados começaram a revelar-se céticos sobre a tentativa de solução para um acordo do ‘Brexit’.

Andrew Percy, Robert Halfon e Zac Goldsmith, deputados do Partido Conservador que tinham votado favoravelmente a proposta do governo de Theresa May na terceira tentativa no Parlamento, mostraram-se hoje desapontados com a nova solução da primeira-ministra.

Os parlamentares Conservadores mostram-se desconfortáveis com o facto de Theresa May ter incluído a obrigatoriedade de um voto sobre a possibilidade de um referendo sobre o acordo de saída, que se poderá transformar num segundo referendo sobre o ‘Brexit’.

“Estou frustrado… Estou muito preocupado com a possibilidade de um segundo referendo. As pessoas falaram no primeiro referendo, era a palavra final sobre o assunto para uma geração”, disse Andrew Percy, em declarações aos jornalistas.

Também Robert Halfon, que esteve noutros momentos ao lado de Theresa May na tentativa de encontrar uma solução para o impasse à volta do acordo, agora não esconde as suas reservas.

“Se Theresa May apoiar um segundo referendo, torna-se muito difícil para mim apoiar a nova proposta no Parlamento”, disse Halfon, numa entrada da sua conta pessoal da rede social Twitter.

A primeira-ministra britânica, Theresa May, apresentou hoje uma nova proposta de ‘Brexit’ que levará ao Parlamento britânico e que permite que os deputados votem sobre um segundo referendo, se houver acordo sobre a saída.

Numa comunicação feita horas depois de o seu governo ter apoiado esta nova proposta de ‘Brexit’, Theresa May disse hoje que continua “empenhada em garantir a saída do Reino Unido da União Europeia” e mostrou-se confiante de que a nova proposta terá a aprovação no Parlamento, onde será votada na primeira semana de junho.

May diz que a proposta incluirá o requisito de haver uma votação no Parlamento sobre se será feito um novo referendo sobre o ‘Brexit’, mas este novo referendo apenas poderá acontecer se os deputados aprovarem o acordo de saída.

A existir, esse segundo referendo deverá acontecer ainda antes de o acordo de saída da União Europeia seja ratificado.

A primeira-ministra britânica apresentou algumas novas ideias para a nova proposta, garantindo a proteção de direitos dos trabalhadores, comprometendo-se a manter-se alinhada com a Irlanda do Norte sobre o ‘backstop’ e assegurando que não haverá alterações na proteção ambiental se houver uma saída do Reino Unido.

A nova proposta de acordo será levada ao Parlamento no próximo dia 03 de junho, para que os deputados que já por três vezes rejeitaram anteriores soluções se pronunciem.

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