Lisboa arranca ano como Capital Verde da Europa com exposição no Oceanário

A capital portuguesa passou hoje a ser também a Capital Verde da Europa para 2020. Fernando Medina prometeu “centenas, milhares” de ações de combate às alterações climáticas. A primeira foi a inauguração de uma exposição sobre o mar, no Oceanário, e que contou ainda com a presença de António Costa e de António Guterres.

A “mobilização de todos na ação contra as alterações climáticas” é o grande desafio de Lisboa no papel de Capital Verde da Europa em 2020, afirmou este sábado Fernando Medina, presidente da autarquia.

“Queremos usar este galardão para mostrar o que estamos a fazer e, fundamentalmente, para mobilizar todos para a ação”, Medina explicou aos jornalistas. “Um galardão não se destina a premiar os feitos que conseguimos, destina-se, acima de tudo, para utilizarmos de forma de fazer mais para vencer em conjunto a batalha contra as alterações climáticas, pela melhoria da qualidade de vida nas cidades, fazer mais no domínio dos parques verdes, da água, da mobilidade sustentável”.

“É isto que vamos ter ao longo do ano, uma mobilização coletiva para a ação, que começa hoje da melhor forma aqui no Oceanário”, sublinhou, na inauguração da exposição ‘One – O mar como nunca o viu’, obra da artista Maya de Almeida Araújo no Oceanário de Lisboa, no Parque das Nações, e que contou com a presença do primeiro-ministro, António Costa, e do secretário-geral da Nações Unidas, António Guterres.

Fernando Medina vincou que a Câmara Municipal de Lisboa está muito consciente do que tem de fazer em matéria de ação climática e da sustentabilidade ambiental. “As cidades são responsáveis por cerca de 70% das emissões de gases de estufa e se é verdade que não vamos vencer a batalha contra as alterações climáticas aqui em lisboa, temos a consciência bem clara que temos de fazer a nossa parte”.

Adiantou que, por isso, a autarquia vai ao longo do ano de 2020 e dos seguintes, realizar ações concretas, dando como exemplos a plantação de 20 mil árvores na cidade este domingo, “que será a maior plantação de uma só vez”, o arranque das obras na segunda-feira do novo parque na Praça de Espanha, a renovação da frota da Carris, a entrada em funcionamento de autocarros elétricos e a construção de novas casa de emissão zero.

“Tudo isto vai marcar um ano que vai mobilizar a cidade e o país também para esta ação climática, uma mobilização que vai ser de todos, do município, das instituições, das empresas e dos cidadãos”, acrescentou. “Já temos assinados compromissos de mais de 70 empresas no domínio da mobilidade e que representam mais de 15% da força de trabalho no município de Lisboa, e que se comprometeram a dizer que vão implementar medidas concretas para a ação climática”.

Questionado sobre o orçamento da autarquia para essas ações, Fernando Medina respondeu que “não é possível fazer essa conta, são centenas, milhares de ações que vão ser executadas em 2020 e nos anos seguintes”, frisando que  o orçamento é muito vasto pois está dividido por múltiplas entidades.

“Tivemos aqui no Oceanário a Fundação Oceano Azul a contribuir do seu orçamento, com o seu esforço, para uma extraordinária exposição que vai sensibilizar as pessoas para o mar e para a ação”, concluiu.

Guterres salienta “natureza e humanidade”

O átrio do Oceanário foi remodelado para a exposição ‘One – O mar como o nunca viu’, obra da artista Maya de Almeida Araújo, e que vai estar patente durante três anos no espaço que está concessionado à Fundação Oceano Azul, da Sociedade Francisco Manuel dos Santos, maior acionista do Grupo Jerónimo Martins.

António Guterres salientou que a obra é “sobre a natureza e a humanidade, que é exatamente aquilo que precisamos para se queremos salvar o planeta e a espécie humana, sobretudo num momento em que infelizmente as alterações climáticas estão a correr mais depressa do que nós”.

A obra consiste de 10 gigantes painéis de vídeo que exibem imagens foram realizadas em território marítimo português, entre Portugal Continental (Algarve, Costa Alentejana, Cascais, Sintra, Nazaré e Aveiro) e Açores. A execução durou dois anos, incluindo oito meses de filmagens por 11 equipas diferentes (incluindo equipas de drones) e 42 participantes, desde pescadores, artistas plásticos, surfistas e profissionais de mergulho livre.

As imagens subaquáticas foram realizadas maioritariamente em apneia, exceto nos mergulhos com tubarões e mantas e usando seis embarcações (1 catamarã, 1 barco de pesca, 2 semirrígidos, 1 caiaque e 1 submarino).

Cineasta e fotógrafa, Maya de Almeida Araújo especializou-se em fotografia subaquática em movimento. Tem-se dedicado, ao longo das últimas duas décadas, ao elemento humano integrado no elemento água e o seu trabalho está presente em diversas coleções públicas e privadas.

Costa vinca grande desafios e metas

O primeiro-ministro, António Costa, optou por não falar aos jornalistas durante o evento, mas deixou uma mensagem sobre Lisboa Capital Verde da Europa no Twitter:

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