Lisboa Financial Fórum: “A banca não está preparada para a ‘geração Uber'”

“É uma geração cashless (que não tem uma representação física do dinheiro) e para eles, a noção de poupança durante 40 anos não existe”, disse Bárbara Barroso, fundadora do projeto de literacia financeira MoneyLab, na 2ª edição do Lisboa Financial Fórum, conferência promovida pela corretora ActivTrades e da qual o Jornal Económico é media partner.

Cristina Bernardo

Com o aumento da esperança média de vida que, desde 1960, tem vindo a aumentar três anos por cada década, as gerações no ativo são atualmente mais diversas do que no passado, com interações distintas com o mercado. Por isso, nos dias de hoje, o paradigma da economia, do mercado e do sistema financeiro têm-se vindo a alterar – exacerbado pela produção mais rápida e em maior volume do que antes, que obriga a um ajustamento do comportamento dos vários agentes da atividade económica.

“Fala-se muito dos millennials, mas ninguém fala da ‘geração Uber’, que são os jovens que têm hoje 18 anos e para a qual a banca não está preparada. O mote foi lançado por Bárbara Barroso, fundadora do projeto de literacia financeira MoneyLab, durante um debate que abordou o futuro do dinheiro e das transações comerciais, a regulação e o seu impacto na sociedade. “É uma geração cashless (que não tem uma representação física do dinheiro) e para eles, a noção de poupança durante 40 anos não existe”, disse, na 2ª edição do Lisboa Financial Fórum, uma conferência promovida pela corretora ActivTrades e da qual o Jornal Económico é media partner.

A relação entre as instituições financeiras e os consumidores finais tem de reajustar-se numa altura em que estão no ativo, essencialmente, três tipos de gerações: “os analógicos, os híbridos e os que são completamente digitais”, explicou Bárbara Barroso. “As fintech já perceberam isso e as empresas de telecomunicações também, que criou várias sub-marcas. Mas a banca ainda não”, sublinhou.

No futuro, o problema passa, assim, por coexistirem diferentes gerações com relações distintas com o dinheiro. Para Carlos Almeida, diretor de investimentos do Banco Best, “a grande preocupação é que as pessoas tenham dinheiro no futuro”. Na origem do problema está “a iliteracia financeira”, frisou Carlos Almeida. “As pessoas não percebem a aversão ao risco e, por causa da iliteracia financeira, em Portugal, 90% dos investidores aplicam os seus ativos com remuneração abaixo da taxa de inflação”, acrescentou, à margem do mesmo evento.

As instituições dos vários ramos da sociedade, como as financeiras, as legislativas ou reguladoras, terão de agir em concerto e resolver as questões que surgem com a evolução e a massificação do uso da tecnologia numa era cada vez mais digital. Filomena Oliveira, vice-presidente da CMVM, reconhece que o “regulador tem de ser humilde, flexível e com uma postura de diálogo com os agentes os diversos agentes de mercado”. A economista reconhece que o regulador “aprende todos os dias com as fintech“, o que contribui para uma aproximação entre os novos modelos de negócio do setor financeiro e o mercado, que tem de se ajustar.

Relacionadas

PremiumMiguel Pina Martins: “Temos que ter até 40% das vendas online em cinco a dez anos”

O futuro da venda de brinquedos passa pelo ‘e-commerce’ e a Science4you quer tocar o sino da Bolsa de Lisboa para poder “fazer parte dessa onda”, sublinha o fundador e CEO_da empresa.

Lisboa Financial Fórum vai discutir transformações digitais no setor financeiro

O Lisboa Financial Fórum deste ano vai analisar como a transformação digital está a alterar o setor e os mercados financeiros, assim como os seus principais intervenientes. O Jornal Económico é media partner deste evento que tem lugar este sábado, dia 24, em Lisboa.

“Investidores acreditaram na marca Sporting”, elogia Frederico Varandas

Presidente da Sporting SAD reagiu em conferência de imprensa ao resultado final do empréstimo obrigacionista.

Euronext vê “sinais positivos” em Angola

“Vejo grande determinação na adopção de novas regras de organização e de governo, e na procura de uma melhor utilização dos recursos em Angola”, disse Isabel Ucha, administradora da Euronext.
Recomendadas

Pandemia põe em risco mais de 40% dos empregos no Algarve, estima OCDE

A OCDE calcula que o emprego poderá cair, em média, entre 4,09% e 4,98% em 2020 nos países que fazem parte da organização, devido à pandemia, sendo que o impacto desta crise difere de país para país e até de região para região.

Crise no mercado de retalho deve ser pior do que crise de 2009

Quando a recuperação económica chegar, a publicação estima que esta seja lenta, uma vez que a maioria dos mercados afetados pela crise de 2008/2009 demorou perto de um ano até que as vendas retomassem a níveis pré-crise.

Orçamento Suplementar ou Retificativo: CFP questiona “porque não alterar nome das leis de revisão orçamental”

O Conselho de Finanças Públicas realça que os termos Orçamento Suplementar ou Retificativo são utilizados pelo Governo, pelo Parlamento e pela opinião pública. Quer ainda seja prevista a obrigatoriedade de apresentação de um relatório e elementos informativos aquando da entrega de propostas de revisão orçamental.
Comentários