Lisboa resiste à pressão que a depreciação da moeda chinesa impôs aos mercados

PSI 20 ganha 0,22%, para 4.862,33 pontos. Jerónimo Martins e BCP impulsionam índice nacional.

O principal índice bolsista português (PSI 20) ganha 0,22%, para 4.862,33 pontos, em contrariando as principais congéneres europeias esta terça-feira, 6 de agosto.  “Não é de excluir que o índice português alcance uma ligeira overperformance face aos seus pares europeus, em virtude da sua composição”, segundo os analistas do BPI, visto que não tem muitas empresas com exposição direta à China.

Os mercados reagem a mais uma etapa da chamada guerra comercial – que agora se concentra no mercado cambial – em que “o impacto da debilidade da China materializa-se através do impacto que esta tem nos parceiros comerciais de Portugal”.

Desta forma, em Lisboa, os títulos do BCP (0,64%), Jerónimo Martins (1,14%), Mota-Engil (0,84%), EDP (0,36%) e Altri (0,55%) impulsionam o PSI 20.

Em contraciclo, destacam-se as quedas da Pharol (-1,37%) e F. Ramada (-1,61%).

Entre as principais praças europeias, os investidores estão condicionados pela escalada do conflito comercial entre a China e os EUA, que já conduziu a moeda chinesa, o yuan, a uma depreciação para mínimos históricos face ao dólar.

Contudo, um dia depois de ter provocado uma desvalorização da sua moeda, Pequim quer contrariar quebras. O Banco Popular da China anunciou a venda de títulos de dívida no valor de 30 mil milhões de yuan, uma forma de mitigar a perda de valor da divisa.

A moeda chinesa desvalorizou esta segunda-feira, 5 de agosto, para o nível mais baixo em mais de dez anos e Pequim ordenou às empresas estatais que suspendessem as importações de produtos agrícolas norte-americanos.

Desta forma, a China corta nas importações agrícolas depois de Trump ter acusado o país de não cumprir com a promessa de aumentar as compras deste setor aos Estados Unidos, tal como prometido. Ao mesmo tempo, a depreciação do yuan é um sinal de resposta à acusação de Washington de que Pequim manipula a moeda de forma injusta,

Com o yuan mais fraco, os produtos chineses são mais baratos, o que pode ajudar a conter o efeito negativo das novas tarifas dos EUA sobre a competitividade da economia de Pequim.

“Os setores mais sensíveis à economia chinesa, como o mineiro, o industrial e o automóvel deverão continuar a ser os mais vulneráveis à pressão vendedora”, lê-se no diário da bolsa do BPI.

Esta nova etapa na guerra comercial teve origem no anúncio do presidente dos EUA, Donald Trump, na quinta-feira, 1 agosto. Trump anunciou a imposição de novas tarifas de 10% sobre produtos chineses avaliados em 300 mil milhões de dólares até 1 de setembro.

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