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Lixo espacial pode custar 2% do PIB global

Colisões com detritos espaciais podem causar uma redução de 2% do PIB global, revela estudo que define como urgente a adoção de soluções sustentáveis e dos princípios da economia circular: reduzir, reutilizar e reciclar também serve para o infinito e mais além.
12 Dezembro 2025, 14h00

À medida que a atividade espacial cresce – com mais de 8 mil satélites em órbita e milhares de novos lançamentos planeados – aumenta a pressão sobre recursos críticos, o ambiente e a própria segurança das operações. O setor, que já vale quatrocentos e trinta mil milhões de euros por ano e poderá ultrapassar um trilião até 2040, enfrenta uma contradição estrutural: uma economia altamente tecnológica, mas ainda assente num modelo linear de produção e descarte.

O crescimento rápido tem um preço. A produção de materiais e combustíveis para foguetes e satélites pressiona recursos finitos, enquanto o lixo espacial ameaça a funcionalidade de órbitas essenciais. O estudo “Resource and material efficiency in the circular space economy” da Universidade de Surrey, estima que colisões com detritos espaciais possam causar uma redução de 2% do PIB global, revelando a urgência de soluções sustentáveis.

A mesma investigação defende que a solução passa pela integração urgente dos princípios da economia circular— reduzir, reutilizar e reciclar — desde o desenho da missão até ao fim de vida dos dispositivos. “Com a aceleração da atividade espacial, desde mega constelações de satélites até futuras missões à Lua e a Marte, devemos garantir que a exploração não repita os erros cometi dos na Terra”, afirma o autor sénior e engenheiro químico Jin Xuan, da Universidade de Surrey.

Lançamentos espaciais são sinónimo de emissões elevadas: libertam dióxido de carbono, partículas de alumínio e até substâncias que destroem a cama da de ozono. A proliferação de detritos espaciais ameaça transformar a órbita terrestre num campo minado. A Agência Espacial Europeia estima que existam mais de 50 mil fragmentos com mais de 10 cm e 130 milhões abaixo de 1 cm – todos potencialmente capazes de danificar ou destruir satélites operacionais.

Sem uma intervenção eficaz, uma colisão em cadeia poderia comprometer operações como navegação, comunicações e observação da Terra. Construir um satélite ou um lançador envolve centenas de fornecedores distribuídos por vários continentes.

Muitos dos materiais utilizados têm oferta limitada, extração difícil ou elevada concentração geográfica. A China, por exemplo, domina mais de 80% da produção mundial de metais raros essenciais para sistemas eletrónicos espaciais. Além disso, a maioria dos materiais enviados para o espaço nunca regressa, revela o estudo.

Um Falcon 9 utiliza cerca de 549 toneladas de materiais, mas apenas 23 toneladas chegam efetivamente à órbita. A economia circular já transformou setores como a eletrónica de consumo e a indústria automóvel. Smartphones, que concentram materiais críticos como ouro e cobalto, tornaram-se mais recicláveis e reparáveis. Automóveis incorporam estratégias de remanufactura e reutilização que reduzem o desperdício. Segundo os autores, essas práticas oferecem lições valiosas para a indústria espacial, que até agora permaneceu resistente a mudanças razões de segurança, fiabilidade e custos.


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