Londres e Bruxelas adiam negociações do Brexit

As duas partes não avançam com uma data para o retorno à mesa de negociações. Mesmo assim, o governo de Boris Johnson insiste em exclui a prorrogação do período de transição.

DR Daniel Leal-Olivas/ REUTERS

Londres e Bruxelas cederam à realidade da crise global de coronavírus e adiaram as negociações sobre o futuro tratado comercial para a era pós-Brexit, desistindo de manter os contactos através de uma qualquer solução não presencial. O adiamento foi acordado sem que as duas partes anunciassem uma data previsível para o regresso à mesa das negociações.

As equipas de ambos os blocos planeavam realizar uma reunião agendada para quarta-feira por videoconferência, mas finalmente cancelaram o encontro. O grande número de participantes envolvidos nas negociações tornou praticamente impossível o esforço não presencial e fez excluir qualquer tentativa futura de aposta numa solução do género.

A severidade excepcional da pandemia colocou sobre a mesa a possibilidade, contemplada no Acordo de Retirada assinado pelo Reino Unido e pela União, de prorrogar a data final do período de transição, prevista para 31 de dezembro próximo. Mas o governo de Boris Johnson insiste que não será necessário, apesar de as negociações já serem extremamente complexas em circunstâncias normais.

Muitos especialistas acreditam que a mudança de cenário torna praticamente impossível cumprir o prazo. O governo britânico, que promoveu a aprovação por lei do compromisso de não solicitar novas extensões, mantém oficialmente a sua recusa a qualquer alteração. “Continuamos a confiar que o objetivo que estabelecemos para nós mesmos possa ser alcançado, e não creio que um atraso nas negociações forneça a ambos os lados a certeza de que precisam de mais tempo”, disse Dominic Raab, ministro das Relações Exteriores do Reino Unido na Câmara dos Comuns.

Mas alguns jornais britânicos, entre eles o The Daily Telegraph, avança que esta recusa pode esbarrar contra a dura realidade e que o gabinete de Johnson tem um plano B se a pandemia mantiver a sua extrema capacidade intruziva.

No final de fevereiro, o executivo britânico preparou um documento com os seus principais pedidos para a nova fase de negociação. Johnson pretende fechar um futuro acordo semelhante ao que a União possui com o Canadá e rejeita qualquer alinhamento do Reino Unido com regras de trabalho, ambientais, de proteção ao consumidor ou de controlo de auxílios estatais às empresas que operam na União Europeia. Além disso, recusa submeter as suas decisões à jurisdição do Tribunal de Justiça das Comunidades Europeias.

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