Lucro da EDP sobe 7% para 405 milhões no 1º semestre impulsionado pela produção eólica e solar

António Mexia, CEO da EDP, sublinhou que “os resultados do negócio internacional da EDP foram muito positivos, o que permitiu mitigar o prejuízo acumulado, no último ano e meio, no negócio convencional em Portugal”.

Cristina Bernardo

O lucro líquido da EDP-Energias de Portugal avançou 7%, em termos homólogos, no primeiro semestre de 2019, para 405 milhões de euros, ligeiramente acima das estimativas dos analistas, impulsionado pela atividade global de produção eólica e solar, anunciou a empresa esta quinta-feira.

O EBITDA – lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização – cresceu 11% para 1.908 milhões de euros.

As estimativas médias de 11 analistas apontavam para uma subida de 5% no lucro líquido para 399 milhões de euros e de 10% para 1.898 milhões de euros.

“O contributo para a subida do resultado líquido neste período veio sobretudo da nossa atividade global de produção eólica e solar”, explicou a energética, em comunicado divulgado no site da CMVM.

Adiantou que, no entanto, “as atividades convencionais em Portugal (rede de distribuição, produção hídrica e térmica e comercialização de energia) registaram um prejuízo líquido de 18 milhões de euros na primeira metade de 2019, penalizadas pela manutenção de um contexto regulatório e fiscal adverso, a que se adicionou neste semestre um volume de produção de energia hídrica anormalmente reduzido”.

Em comunicado enviado às redações, António Mexia, CEO da EDP, sublinhou que “os resultados do negócio internacional da EDP foram muito positivos, o que permitiu mitigar o prejuízo acumulado, no último ano e meio, no negócio convencional em Portugal”.

“A aposta continuada numa política de investimento e crescimento internacional, focada em energias renováveis, aliada ao plano de rotação de activos tem demonstrado ser uma estratégia de sucesso,” adiantou.

A empresa explicou que a subida de 11% do EBITDA beneficiou do forte crescimento no negócio de renováveis,  com a produção eólica e solar a aumentar a capacidade instalada em 6% para 11.4 gigawatts, enquanto que a estratégia de rotação de ativos gerou neste período um ganho de 200 milhões deu euros,  associado à venda acordada de uma carteira de parques eólicos em 4 países europeus com uma capacidade instalada líquida de 0,5 gigawatts e que representará um encaixe financeiro de 800 milhões no terceiro trimestre deste ano.

Esta quarta-feira a EDP Renováveis, subsidiária da EDP para as energias ‘limpas’ anunciou que o lucro líquido disparou 147% para 343 milhões de euros no primeiro semestre face a período homólogo. Os resultados da empresa liderada por João Manso Neto tiveram o impacto positivo do aumento da capacidade da elétrica, mais 71 milhões de euros face a período homólogo, do maior preço médio de venda, mais 29 milhões, e do impacto cambial positivo, mais 27 milhões.

Por outro lado, a EDP explicou esta quinta-feira que a produção hídrica na Península Ibérica registou uma queda de 50% face a 2018, impactada neste semestre por recursos hídricos, em Portugal, 44% abaixo da média histórica, o que teve um impacto negativo no EBITDA em cerca de 200 milhões de euros.

A junho de 2019, a dívida líquida situava-se nos 14 mil milhões de euros, 4% acima de dezembro de 2018, mas ainda 1% inferior ao valor registado em junho de 2018, acrescentou.

A dívida líquida foi impactada pelo elevado montante de investimento líquido de expansão que mais do que duplicou face ao período homólogo (85% do qual alocado ao segmento de renováveis) enquanto que o encaixe proveniente da transação de asset rotation anunciada abril de 19 está previsto para o terceiro trimestre.

[Atualizada às 17h55]

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