Luís Montenegro: “Serei candidato à presidência do PSD nas próximas eleições diretas”

Em entrevista à SIC, o social-democrata acusou o atual líder do PSD, Rui Rio, de ter falhado na estratégia política para o partido, ao procurar entendimentos com o PS em vez da “confrontação política democrática”, o que levou ao “previsível” desaire eleitoral. Sobre o processo judicial no qual está envolvido, o Galpgate, garante que não cometeu nenhum crime e que não vai “deixar de exercer os seus direitos cívicos e políticos” por isso.

José Coelho/Lusa

O antigo líder parlamentar do Partido Social Democrata (PSD), Luís Montenegro, afirmou esta quarta-feira que será candidato à presidência do PSD nas próximas eleições diretas do partido. Em entrevista à SIC, o social-democrata acusou o atual líder do PSD, Rui Rio, de ter falhado na estratégia política para o partido, ao procurar entendimentos com o PS em vez da “confrontação política democrática”, o que levou ao “previsível” desaire eleitoral.

“Cada um de nós tem de assumir as suas responsabilidades e irei assumir as minhas. Serei candidato à presidência do PSD) nas próximas eleições diretas, que hão-de ser convocadas nas próximas semanas, por uma questão de coerência e de convicção”, afirmou Luís Montenegro. “O doutor Rui Rio quebrou um ciclo de duas vitórias eleitorais do PSD. Se ele tivesse mantido, essa veia ganhadora do PSD, naturalmente, eu não estaria aqui”.

O ex-líder da bancada do PSD desafiou Rui Rio a concorrer às eleições direitas contra ele, porque “o PSD precisa de uma clarificação, acerca do seu posicionamento político e do seu projeto de intervenção cívica e social no país”. Além disso, Luís Montenegro defende que “Rui Rio tem obrigação de assumir as suas responsabilidades pelo resultado a que conduziu o PSD”.

“Não tenho nenhuma guerra pessoal com o doutor Rui Rio, o que eu quero é um PSD ganhador e que seja alternativa ao PS. O PSD transformou-se nos últimos dois anos, num partido subalterno ao Partido Socialista (PS). O PSD não pode estar todos os dias a reclamar entendimentos com o PS e reclamar reformas estruturais com o PS, o PSD tem de ter vida própria”, disse, sublinhando que o PS de António Costa, “ainda por cima, não é reformista”.

Luís Montenegro defendeu ainda que os resultados eleitorais mostram que “o PS era batível” se tivesse havido uma “estratégia de oposição firme, que tivesse assinalado os erros da governação” e se Rui Rio seguisse a via da “confrontação política democrática”.

“O resultado do PSD é agravado, porque não conseguimos conquistar aqueles eleitores que não quiseram dar vitória ao PS e cativá-los para o nosso projeto e, quiçá, até vencer as eleições”, sustentou.

Sobre a estratégia que quer para o PSD, Luís Montenegro afirmou que quer um partido mais coeso e unido “em torno de um líder, de uma liderança e de um projeto comum”. “Para isso, estarei disponível para integrar nos órgãos  e na vida ativa do partido, pessoas com sensibilidades políticas diferentes da minha e, eventualmente, até apoiantes do doutor Rui Rio”, garantiu, acrescentando que o PSD não deve ter “complexos ideológicos”.

Luís Montenegro adiantou também que quer um “PSD vocacionado para ser maioritário” e “o maior dos grandes”, o que pressupõe alianças políticas com o CDS-PP, Iniciativa Liberal e Aliança (que não conseguiu representação parlamentar nas eleições legislativas de domingo. Já o Chega fica fora da equação porque “manifestamente tem um programa político que é inconciliável com o nosso”.

Questionado sobre o processo judicial no qual está envolvido – o Galpgate, onde é suspeito de crimes de recebimento indevido e de falsificação de documento –, garante que não cometeu nenhum crime e que não vai “deixar de exercer os seus direitos cívicos e políticos” por isso.

“Se for acusado, usarei todos os meios de defesa que estiverem ao meu alcance para obstar essa acusação”, indicou.

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A bancada liderada por Rui Rio, que também é o presidente do partido, sublinha que é necessário “adotar, na nova fase que se avizinha, um novo modelo” que dê privilégio à “função parlamentar na defesa da saúde pública”.

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