Maior apreensão de droga em Cabo Verde vai a julgamento a 27 de janeiro

O caso remonta a janeiro do ano passado, quando 11 cidadãos de nacionalidade russa foram detidos a bordo de um navio no Porto da Praia com 9.570 quilogramas de cocaína em “elevado grau de pureza”, incinerada pelas autoridades dias depois.

O julgamento do caso da apreensão de quase dez toneladas de cocaína em Cabo Verde, a maior no país, e em que 10 russos são acusados de associação criminosa, começa a 27 de janeiro, informou fonte oficial.

A informação foi avançada à agência noticiosa Lusa no 1.º juízo crime do Tribunal da Comarca da Praia, que adiantou que o julgamento vai decorrer até 31 de janeiro, com início às 08:30 locais (mais uma hora em Lisboa).

O caso remonta a janeiro do ano passado, quando 11 cidadãos de nacionalidade russa foram detidos a bordo de um navio no Porto da Praia com 9.570 quilogramas de cocaína em “elevado grau de pureza”, incinerada pelas autoridades dias depois. O cargueiro, de nome ESER e que dá nome a operação, transportava a droga, oriundo da América do Sul, e tinha como destino a cidade de Tânger, no norte de Marrocos, segundo a Polícia Judiciária (PJ) cabo-verdiana.

O barco fez uma escala no Porto da Praia para cumprir os procedimentos legais relacionados com a morte a bordo de um dos tripulantes, mas a PJ disse que já tinha informações que se tratava de uma embarcação suspeita. Os 11 cidadãos russos foram colocados em prisão preventiva até ao julgamento, mas um deles morreu esta semana no Hospital Agostinho Neto, de causas naturais, informou o advogado de defesa, Martinho Landim.

Os agora 10 arguidos são acusados pelo Ministério Público cabo-verdiano de crimes de tráfico de estupefacientes agravado em coautoria material e concurso real com um crime de adesão à associação criminosa.

O Ministério Público informou que determinou o encerramento da instrução a 29 de julho do ano passado, tendo deduzido acusação e requerido julgamento em processo comum e com intervenção do Tribunal Coletivo. Como pena acessória, a justiça cabo-verdiana pediu ainda a “expulsão judicial dos arguidos do território cabo-verdiano”. Foi ainda pedido que sejam declarados como “perdidos a favor do Estado” todos os objetos, bens e produtos apreendidos no âmbito da operação.

A operação “ESER” foi desenvolvida na sequência de um processo de instrução resultante da troca de informação operacional com o MAOC-N (Maritime Analysis and Operations Centre – Narcotics), com sede em Lisboa.

Na operação de busca, descarga, acondicionamento, transporte e guarda do produto apreendido, a PJ contou com a cooperação e o suporte técnico da Polícia Judiciária portuguesa, da polícia francesa, bem como de forças de segurança nacionais, designadamente as Forças Armadas e a Polícia Marítima.

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