Mais de 29 mil pessoas exigem fim das restrições nos voos de Portugal para o Reino Unido

Um cidadão britânico, que costuma vir de férias a Portugal, considerou que a decisão do Governo de Boris Johnson não faz sentido devido aos números apresentados por Portugal, e exige a retirada do país da lista negra de Londres. Já um jornal publicado em inglês, sediado em Portugal, pede aos britânicos para escreverem aos deputados de Westminster a exigir o fim das restrições.

Mais de 29 mil pessoas já assinaram a petição que exige ao Governo britânico o fim das restrições dos viajantes com origem em Portugal.

A petição dirigida ao executivo de Boris Johnson foi criada pelo cidadão britânico Charles Barrett que faz férias em Portugal há seis anos com a sua mulher e as suas filhas gémeas de 12 anos.

“Portugal e a suas pessoas precisam de turistas para viver e sobreviver através desta pandemia e os turistas precisam de Portugal pela sua segurança, belos resorts, pessoas amigáveis e férias baratas para recuperar e relaxar depois de um confinamento tão longo”, argumento o escocês que vive em Dunlop, na Escócia.

A petição já obteve o apoio do Portugal News, jornal em inglês publicado em Portugal dirigido a turistas do Reino Unido e a britânicos residentes no país.

“Lançámos esta campanha para aumentar a consciência sobre a situação em Portugal e dar argumentos lógicos sobre porque é que o Governo britânico deve mudar de opinião”, escreveu o Portugal News no lançamento da sua campanha a 21 de julho.

Além da petição, o jornal em inglês pede aos cidadãos britânicos para escreverem ao deputado que representa a sua área de residência a exigir o fim das restrições para Portugal.

“Isto está a ter um grande impacto no cidadãos britânicos que adoram visitar Portugal, os cidadãos britânicos que trabalham no setor português do turismo e os cidadãos portugueses que dependem da indústria do turismo”, segundo a carta modelo criada pelo Portugal News para enviar aos parlamentares britânicos.

“Por seu o meu deputado, eu quero que contacte o Governo a exigir a mudança do estatuto de Portugal para que não seja exigida uma quarentena de 14 dias ao regressar do país”, pode-se ler no documento.

“Uma boa gestão é ter um corredor entre os países que permite detetar [casos]. Empurrar turistas pelas traseiras através de Espanha não é fazer boa gestão e um fraco sistema de rastreio porque as pessoas vão continuar a visitar Portugal”, segundo o texto da petição.

Considerando que “esta é uma decisão puramente política” e que existe uma “dualidade de critérios”, a petição quer que os cidadão contactem Boris Johnson e Grant Shapps, ministro dos Transportes, a exigir a retirada de Portugal da lista negra.

A petição a exigir o fim das restrições aplicadas a Portugal pode ser assinada aqui.

Portugal está a negociar o fim da quarentena com o Reino Unido

No dia 3 de agosto, a secretária de Estado do Turismo de Portugal avançou que Portugal está em conversações com o Governo britânico para tentar convencer Londres a levantar as restrições aos viajantes com origem em Portugal.

“Temos estado em contacto com o Reino Unido, providenciando toda a informação requerida pelo Governo britânico”, disse a secretária de Estado do Turismo em entrevista à Bloomberg.

“Não temos certeza quando é que a decisão vai ser revista, mas não vamos retaliar”, assegurou Rita Marques.

O Reino Unido é o maior mercado emissor para Portugal, pesando 20% no total de turistas para o país. O turismo é um setor essencial para o país, sendo responsável por 15% da economia.

“Não acreditamos que a quarentena é a solução adequada. As pessoas devem ser testadas e se isso não for possível então deve cumprir as regras quando veem para Portugal”, afirmou.

“Acreditamos que agosto e setembro vão ser meses fortes, e vamos ver como corre em outubro e dezembro. A situação está sob controlo”, garantiu a governante.

A 24 de julho, o Governo português voltou a criticar o britânico por manter as restrições nos voos com origem em Portugal.

“O que combinei com o ministro dos Negócios Estrangeiros britânico foi cumprido. Tivemos as reuniões indispensáveis, e trocamos a informação indispensável”, disse na altura o ministro dos Negócios Estrangeiros no Parlamento.

“A partir do momento em que as autoridades britânicas nos explicaram finalmente quais eram os cinco critérios que consideraram para as suas decisões, demonstramos que a situação epidemiológica portuguesa era muito positiva, designadamente: em relação à capacidade de testagem; quanto à taxa de letalidade; quanto ao índice de reprodução, o chamado R; quanto à capacidade de resposta do sistema de saúde; quanto ao numero de casos por 100 mil habitantes também demonstramos que esse numero de casos tem vindo a diminuir”, afirmou Augusto Santos Silva.

Portugal está a negociar o fim da quarentena com o Reino Unido

 

Portugal na lista negra britânica: Governo diz cumprir os cinco critérios e que decisão foi “sem fundamentação”

 

Ler mais

Relacionadas

Portugal está a negociar o fim da quarentena com o Reino Unido

O Governo está a tentar que Londres levante as restrições, mas não avança com previsões sobre quando poderá acontecer. O Reino Unido é o maior mercado emissor para Portugal, com 20% dos turistas no país a terem origem neste mercado.

Para onde viajar? Conheça as restrições de viagens aplicadas pelos países europeus

Um guia que explica se pode ou não ir na Europa, dadas as restrições impostas à circulação entre países resultantes da pandemia de Covid-19.

Portugal na lista negra britânica: Governo diz cumprir os cinco critérios e que decisão foi “sem fundamentação”

Lisboa criticou a decisão de Londres de não levantar as restrições nos voos com origem em Portugal. Governo garante que cumpre cinco critérios exigidos pelo executivo de Boris Johnson. Pela segunda vez, as autoridades britânicas “não foram capazes de explicar os fundamentos científicos e técnicos da decisão”, afirmou Santos Silva.
Recomendadas

Receita de IRC passa para níveis de 2014. São menos 1,5 mil milhões em 2020

“Andámos seis anos para trás em termos de receita do IRC”, diz Renato Carreira, Tax Partner da Deloitte. Fiscalista recorda que rombo na receita fiscal é em grande parte explicado pelo adiamento dos pagamentos por conta que só serão feitos pelas empresas se no final do ano tiverem lucros que os justifiquem. E a previsão é mais empresas com mais prejuízos, logo menos impostos a entrarem nos cofres do Estado.

Derrocada na Praça de Espanha. “Não estão reunidas as condições para abrir o túnel”, diz vereador

“Todas as pessoas foram evacuadas. Estavam cerca de 300 pessoas dentro da carruagem, das quais resultaram três feridos, mais o segurança. Vão já começar os trabalhos para que sejam retomadas as condições de normalidade o mais depressa possível. Numa análise muito preliminar, prevê-se pelo menos um a dois dias de interrupção”, garantiu o responsável autárquico.

Covid-19: Pior verão de sempre na aviação leva IATA a agravar projeções

Assim, a atual previsão é que a pandemia de covid-19 e as medidas restritivas que se seguiram motivem uma queda do tráfego aéreo em 66% em todo o mundo este ano face ao ano passado, quando anteriormente a IATA apontava para uma redução de 63%.
Comentários